9 de novembro de 2009

PERDENDO O TIMING

Era para ter sido uma daquelas histórias em que tudo é mágico enquanto acontece. Conheci-a na casa de seu primo, era uma gracinha, daquelas com jeito de menina, olhar penetrante e um sorriso sem igual.

Não me lembro bem da conversa que tivemos, mas o tom era delicado. Parecia que tomávamos cuidado um com o outro, não queríamos que nada estragasse o momento. Falamos sobre relacionamentos, sobre o que erramos no passado, o que queríamos para o futuro...

Ela tinha um cheiro doce. Não era de perfume, era dela. Como sua voz, fala mansa, mas firme. Havia se desiludido com o ex-namorado, com quem pensara que passaria o resto de sua vida. Eu ainda não tinha me apaixonado de verdade, não perdidamente, fora pelos amores de infância.

O momento era perfeito. O clima estava pronto, faltava pouco para um beijo. Havia tempo em que não me sentia tão ansioso perto de uma mulher (menina?) e, ainda assim, com o domínio da situação. Até que eu cometi um erro fatal: falei demais.

Ela me disse quem era sua irmã e eu, ingenuamente, contei que havia ficado com ela. Claro que não entrei em detalhes e, na hora, ela não pareceu ter ligado muito. Saímos para dar uma volta de carro, fazer um lanche na madrugada, voltamos, mas eu sentia que não havia maneira para a abordagem. Talvez um beijo de despedida...

Mas não aconteceu. Ela, muito mais baixa do que eu, me deu um beijo no peito e um abraço apertado, não dando margem para nossos olhares se encontrarem.


Passaram-se um, dois anos, não sei. Encontrei-a no ICQ e resolvemos sair. Cheguei a sua casa de carro e ela me chamou para subir. Seu jeito havia mudado. Não era mais tão delicada, seu cheiro não era mais doce. Acho que sequer tomou um banho para me encontrar. Conversamos um pouco, ela me disse que havia tentado fazer um rastafári no cabelo, ficara semanas sem lavá-lo, mas desistira. Acendemos um baseado e acabamos nos beijando. Um beijo falso, de algo que era para ter sido e não foi. Depois ela me confirmou que não ficara comigo por causa de sua irmã. Meia-irmã, na verdade, que morava em outro estado e com quem ela nem se dava muito bem. Mas tudo bem. Erro meu. E não saímos mais.

26 de outubro de 2009

PRELIMINARES

As mulheres têm mania de reclamar que os homens são apressadinhos, que já querem partir para o "vamos ver" sem nem dar uma esquentada antes e que importam com as preliminares. Sempre ouvi dizer também que a prática é mais importante para as mulheres do que para os homens, pois elas demoram mais para entrar no clima.

Na minha opinião, nem tudo isso é verdade. Eu sou um ávido praticante de preliminares detalhadas e, normalmente, estou disposto a demorar tanto quanto no sexo em si e, em alguns casos, até mais. Outro dia, conheci uma garota numa boate e acabamos indo para a minha casa. Quando ameacei beijar seu corpo, ela me travou como se quisesse começar tudo logo. É claro que não deu certo, porque, com a tensão de estar na casa de um desconhecido, acabou ficando travada. Eu também acabei não entrando direito no clima.

Um amigo meu diz que acha necessário fazer sexo oral na mulher antes para "garantir o resultado da partida no primeiro tempo". Fato: se o sexo for ruim, pelo menos ela gozou logo no começo. E mesmo se não tiver gozado, pôde curtir um trabalho bem feito. Porque – sim – alguns de nós nos importamos mais com o prazer que a mulher tem do que com o nosso próprio e é isso que nos diferencia dos demais; essa necessidade de aprovação masculina é universal e nos acompanha por toda a vida.

Dificilmente eu transo sem curtir longas preliminares, pois também preciso entrar no clima. Até porque nesses tempos de sexo emborrachado, a excitação precisa compensar a falta de sensibilidade que a camisinha proporciona. É claro que precisamos saber quando a mulher está satisfeita, pois perder o timing é tão grave quanto partir logo para o ataque. Mas, cá entre nós, isso não é muito difícil, pois as mulheres sabem melhor do que ninguém mostrar o que querem nessa hora.

20 de outubro de 2009

MICOSE

Carnaval é assim, a gente se sujeita a coisas a que, normalmente, jamais se sujeitaria. Isso aconteceu comigo numa cidade do litoral catarinense.

Era pra ser uma daquelas ficadas 2 a 2. Dois amigos encontram duas amigas, cada um chega em uma, o primeiro pega, a segunda fica sem graça de ficar sozinha e acaba ficando com o segundo. Não tinha erro.

Acho que ele não levou dois minutos para cumprir a sua parte. Eu, um pouco mais educado (pra não dizer lento), preferi perguntar o nome primeiro, saber um pouco mais dela, essas coisas sem relevância.

Fomos para o quarto do hotel, os quatro, mas lá eu sabia que não ia rolar nenhuma sacanagem, até porque tinha mais gente junto. Ali, no claro, eu percebi que a mulher era um pouco pior do que parecia. E para completar, ela parecia ter uma micose bem no peito, algo, no mínimo, broxante.

Nesse momento, fiquei aliviado por haver mais gente no quarto. Depois de um tempo enrolando, as duas nos chamaram para levá-las para o hotel. Foi quando, prudentemente, tirei as camisinhas do bolso e joguei sobre a cama para não correr o menor risco de transar com ela.

Isso foi num tempo remoto, dez anos atrás, uma época em que eu era capaz de dizer não para sexo. Hoje eu me pergunto se ainda sou...

8 de outubro de 2009

CIGARRO DE BÁLI

Sou um antitabagista confesso, desses que vêem o fumante como vítima e carrasco ao mesmo tempo, blablablá e tal. Na minha vida, nunca fumei um careta por achar que não só a onda devia ser sem graça, mas por ver que todos à minha volta que tentavam parar de fumar tinham uma enorme dificuldade de largar o vício.

Mas até hoje o cheiro de um cigarro de Báli me inebria. Esse aroma adocicado de cravo, mesmo com o fedor do tabaco, faz parte de algumas das memórias mais agradáveis da minha vida. Quando eu era adolescente, esse tipo de cigarro estava na moda, ainda mais porque corria um boato de que dois porcento dele era composto por maconha, algo totalmente inverídico.

Era engraçado, pois eu praticamente só via mulheres (meninas, às vezes) com um aceso, talvez por seu sabor adocicado. Elas eram descoladas, não por causa do cigarro, mas por causa da galera com quem andavam, normalmente bonitas, algo inteligentes e com um papo cativante. Foram algumas das poucas que não me deram fora antes mesmo de eu tentar alguma coisa quando era novo, mesmo que não fosse rolar nada.

E até hoje esse aroma de cravo queimado com tabaco aciona as minhas memórias e me faz sentir excitado e inseguro, como se tivesse dezoito anos.

30 de setembro de 2009

¡ME GUSTA MUCHO!

Acho que todos já tiveram alguma fantasia com professores. É claro que, normalmente, as que se concretizam são as das mulheres, já que homem é tudo tarado mesmo e não tem o menor problema de transar com suas alunas. Mas, de vez em quando, nós, homens tarados, temos uma ou outra professora gostosa com quem fantasiamos.

Bem, quando eu comecei meu curso de espanhol, o que me deixou mais animado foi o fato da professora ser gostosa. Ela tinha exatamente a minha idade e logo foi com a minha cara, mas, infelizmente, era casada. Nesse tempo, desenvolvemos uma amizade legal. Eu tive de parar o curso por causa de um emprego, mas mantivemos contato pelo msn.

Num desses papos, ela me contou que havia se separado do marido e se mudado para outro apartamento. Eu também havia saído de um relacionamento fazia pouco tempo e decidimos tomar uns chopes para celebrar, mas não chegamos a combinar.

Convidada para a minha festa de aniversário, ela levou uma amiga bem interessante, que também ficou bem interessada em mim. Mas, evidentemente, eu bebi demais para continuar interessante e resolvi deixar a empreitada para depois.

Marquei com elas na boate em que eu sempre ia. Há algo sobre aquele lugar... bem, o fato é que eu já havia tomado uns screwdrivers quando um amigo alemão chegou com um baseado muito forte. Depois de alguns tapas, o resto de inibição que havia em mim desapareceu e eu encontrei a minha professora encostada na parede da pista. Bem... na parede, não tem para onde correr. Travei ela ali mesmo, olhei-a nos olhos e dei-lhe um beijo. No início, ela até pareceu preocupada com a amiga, afinal, o objetivo era juntar nós dois, mas depois ela relaxou e dançou conforme a música.

As coisas chegaram a esquentar, mas não tiveram o final que eu queria. Marcamos novamente no mesmo lugar, mas ela levou outra amiga, uma empata-foda, e só fomos nos beijar quase no fim da noite. Mais uma vez, algum motivo impediu que fôssemos um para a casa do outro.

Pouco tempo depois, nós dois começamos a namorar (com outras pessoas) e, infelizmente, a história ficou sem desfecho. Ela teve uma filha com o namorado e eu entrei num relacionamento sério. Ainda namorando, eu, já insatisfeito e com saudade com minha vida de solteiro, esbarrei com ela na rua.

Andamos até sua casa, conheci sua filha e batemos um longo papo sobre como era bom quando estávamos solteiros e que saudade tínhamos daquela época... o clima estava lá, mas nenhum de nós teve coragem para levá-lo à próxima etapa. Depois de horas de conversa, carinho nas mãos e olhares, nos despedimos com um abraço forte e demorado, corpos colados, manifestações físicas (de minha parte) e ela me disse: "Quando quiser conversar, sabe onde me encontrar".

21 de setembro de 2009

YOU'RE NOT IN, BABE

Uma das coisas mais emocionantes de se viajar para o exterior é descobrir de que são feitas as meninas de cada país. Em minha curta estada na Inglaterra, tive umas poucas experiências, ainda que possam ser consideradas um bocado para apenas uma semana de viagem. O trabalho era mais fácil porque viajei com a minha banda e quando se sobe no palco, rapidamente a gente se torna bonito e gostoso (mesmo sendo tecladista).

Após um show e dez cervejas (só tomei Foster's, nada de Guiness), sentei-me na escada do hotel onde estava rolando o evento. Uma gringa meio baranga sentou-se do meu lado e colocou a mão sobre o pé, como que reclamando da dor do salto. Não consegui segurar meu impulso: "Do you want a foot massage?" - "What?" - "Do you want me to give you a foot massage?" - "Come with me!", ela disse, já me puxando pelo braço.

E foi algo que eu nunca vi: pegamos o elevador e nos atracamos encostados em cada parede do hotel. Depois, pegamos as escadas e procuramos mais paredes para nos outros andares. Mas não havia nenhum lugar escuro onde pudéssemos dar o próximo passo.

Eu confesso que ainda estava muito bêbado quando finalmente chegamos a uma escada completamente escura. Não tive dúvidas: fui logo tirando a calcinha dela e abrindo a minha calça. Parecia que a viagem seria coroada naquela noite!

Triste engano. O desconforto da situação e a calça presa nos meus tornozelos não estavam exatamente me excitando. E a inglesa, como era fria na hora do sexo! Não rolava nem uma preliminar decente pra me levantar! E naquela situação, meia-bomba, eu emborrachei o coitado.

Conselho: não façam isso. A camisinha prende tanto a entrada quanto a saída do sangue e a coisa não evolui. Tentei assim mesmo até ouvir a fatídica frase: "You're not in, babe". No início, pensei que fosse algo como "You're not in the mood", mas ela confirmou: "You're not inside me, babe".

A coisa foi de mal a pior até ela me perguntar se eu já havia feito isso alguma vez na vida antes. Olha só, eu com meus 26 anos, e ela achando que eu era virgem! A humilhação tomou conta de mim de vez e eu, derrotado, desisti.

Ainda esbarrei com ela no dia seguinte, mas ambos, educadamente, fingimos que não nos conhecíamos. E eu voltei para casa deixando lá uma péssima impressão dos brasileiros!

10 de junho de 2009

LAPSOS

Nem sempre namoros começam repletos de paixão, nem sempre desembocam em amor e, quando é assim, quase sempre terminam mal. Namoros às vezes são uma questão de oportunidade, uma ficada que se desenvolveu além do previsto, uma garota que perdeu a virgindade contigo e você se sente responsável por isso... enfim, coisas que passam longe do que é necessário para uma relação saudável.

É claro, a gente se acostuma com a pessoa que está do nosso lado, principalmente no que diz respeito a sexo. A sincronia, o conhecimento do outro torna o sexo melhor, embora se perca o gostinho da novidade.

Mas nesse tipo de relacionamento, não nos sentimos completos. E, naquela hora do quase-sono, quando estamos prestes a dormir ou prestes a acordar é quando vem o lapso. O olho ainda está fechado quando vem à cabeça: "com quem mesmo estou namorando? Será que é com a fulana? Se fosse eu lembraria" – até que você acorda e descobre com quem realmente gostaria de estar.

19 de março de 2009

SILÊNCIOS DESCONFORTÁVEIS

O restaurante era grande, mas sua decoração lembrava um quarto de motel. A vantagem é que havia um piano que eu poderia usar juntamente com o teclado para os shows, o que daria um excelente efeito no público. Que público?

Não havia divulgação, sequer um tijolinho no jornal. Aquilo ficava às moscas e, de vez em quando, apareciam uns gatos pingados ou uns amigos que os músicos chamavam. Foi assim que ela apareceu: era amiga da mãe de um amigo do baixista. Bem branquinha, cabelo curtinho, estava sempre com um cheiro doce de canela.

Reparei logo no primeiro show. Mais umas duas semanas e cheguei junto. Não me lembro se foi antes ou depois do show, mas gostei muito de seu beijo. Na semana seguinte, resolvemos esticar a noite na casa da amiga do baixista, que era louca pelo baterista.

Fomos para o sofá e quando tive coragem para pôr minha mão sob sua saia, reparei que estava sem calcinha. Fiquei louco! Queria transar ali de qualquer jeito. Ela gemia de tesão enquanto eu a masturbava e pensava em como levar aquilo adiante.

Não deu. A noite já havia ido e de manhã deixei-a em sua casa. Era só uma questão de oportunidade. Em outro show, mais perto da minha casa, passamos todo o tempo livre nos beijando. Ali, não havia jogo: eu precisava levar o teclado para casa e ela não podia perder a carona.

Liguei no dia seguinte: nos encontraríamos na Barra, num quiosque. Era quase um meio-termo entre nossas casas. Sentamos, pedi uma cerveja e ela, uma coca. Foi então que percebi o quanto aquilo tudo ia dar errado.

Cada vez que eu tentava engrenar uma conversa, ela respondia com um monossílabo e num tom que demandava esforço para ser entendido. Quando ela respondia mais longamente, não finalizava com uma pergunta para dar prosseguimento à conversa. Até que...

- (...)
- (...)
- Vamos embora daqui?
- Vamos. No seu carro ou no meu?

Levei-a para um motel ali perto. Mas a essa altura, o tesão já tinha se esvaído dentre aqueles silêncios desconfortáveis. Lá, tirei sua roupa e não me ative muito nas preliminares. Não foi lá essas coisas, mas ela parecia satisfeita, talvez não fosse muito exigente. Fomos para a banheira.

Novamente o silêncio. Mas depois, até que ele não é tão ruim. Nos encostamos, depois nos tocamos e só então comecei a ficar com tesão. A frustração intelectual estava passando e a coisa começou a esquentar de novo. Fomos novamente para a cama e consegui mostrá-la do que eu era capaz. Mas, pelo visto, foi só para satisfazer o meu ego, já que aquilo não seria capaz de evoluir.

Nos dias seguintes, evitei falar com ela. Atendi o telefone poucas vezes, não tinha a menor vontade de vê-la. Ela apareceu no meu show e eu decidi tornar a situação o menos desagradável possível. Sentamo-nos e conversamos. Disse-lhe que fiquei sem graça de ligar porque não queria levar adiante, ela se conformou.

Pouco tempo depois transou com o vocalista. E depois com o amigo dele. E percebi que eu não tinha muito mérito de ter transado com ela. Sua carência era tal que a tornava descartável.

11 de março de 2009

CODA

Términos de namoro são algo complexo. A gente passa semanas, às vezes meses, planejando o que vai dizer, como vai dizer, que justificativas vai dar, se vai esperar ela fazer alguma besteira para usar como desculpa... enfim, no final, não há nada que torne a tarefa menos desagradável.

Mas uma vez terminada a relação, existe uma outra coisa que, embora não seja tão ruim, também desperta um desconforto considerável. É aquele reencontro após o final, aquele em que ela pede para voltar, ou te provoca ou ainda conversa com você como se fossem meros conhecidos. Uma coda tão angustiante quanto aquelas dos finais das músicas dos Guns N' Roses com a guitarra chorada do Slash e o falsete gritado do Axl.

Já passei por todas as situações acima. Apenas uma vez o reencontro foi tranquilo, até porque nosso relacionamento havia sido muito curto, apesar de ambos termos considerado um namoro enquanto estávamos juntos.

Tive uma, coitada, que nem se deu conta de que havíamos terminado. No dia após o término, ela apareceu na porta no meu prédio com flores e uma carta. Fiquei irritado, disse-lhe que não aparecesse assim sem avisar, mas de tanto insistir, disse que ia pensar. Não dei mais notícias até que ela me ligou dizendo que não aguentava mais esperar. Acabei terminando (de novo) por telefone, algo que ela dizia achar abominável (e eu também).

Com outra já foi mais complicado. A história já está contada e, apesar de reencontrá-la pedindo para voltar ter-me feito sentir por cima, levei um tempo até me recuperar de tudo. Até porque ela continuou fazendo contato comigo através de uma "guru" que ela tinha (era kardecista, eu achava tudo uma bobagem) que me ligava para dizer como ela estava mal, que não comia, que sua mãe pensou em interná-la... o drama de sempre. Eu respondi secamente: ela acha que vai morrer quando pega uma gripe, não se preocupe que ela sempre fica bem.

Teve mais uma que... bem, terminei o namoro de forma tão grosseira que a culpa me fez pedir para voltar no nosso primeiro reencontro. Mas isso é história para uma outra crônica.

18 de fevereiro de 2009

AS PIORES DA NOITE

O lugar não tinha nada a ver comigo, e eu já sabia disso antes de ir. Mas o cara era meu amigo e era seu aniversário, achei que minha presença seria importante, algo que depois foi confirmado: "Pô, cara, fiquei até emocionado em te ver lá".

O fato é que eu sou roqueiro e aquela boate mulambenta no Centro conjugava desde playboy bombado a favelado, sem passar pela minha espécie. A decisão foi tomada ainda na entrada: um passe VIP me daria direito a cerveja e vodka (Natasha, é verdade) de graça.

Lá dentro, comecei logo a beber. Felizmente, não estava sozinho. Meus fiéis amigos entornaram todas comigo até que enjoamos de cerveja e de vodka vagabunda e começamos a pedir tequilas. A cada duas, ganhava-se mais uma que, quando ninguém mais queria, eu mesmo entornava.

Era hora de ir à caça. Já falando mole, avisei: "Hoje vou pegar as piores da boate". Uma, sinceramente, eu nem me lembro como era, mas a outra faria um tucano parecer ter um nariz delicado. Fiquei por aí mesmo e resolvi sentar no sofá numa lounge da boate.

Um amigo meu desmaiou no canto e só acordava para vomitar todo o chão do lugar. Não demorou e eu estava conversando com uma garota. Baixinha, bonitinha, me disse que esse meu amigo havia tentado agarrá-la, mas não parecia irritada. Talvez com pena. O papo fluiu como foi possível e acabamos trocando telefone.

Na saída, a amiga da tucano colapsou em plena rua, tendo convulsões e entrando em coma alcoólico. Eu, mais do que bêbado e completamente fora do meu juízo, tentei convencer um motorista de táxi a levá-la a um hospital de maneira nada simpática. O cara, mais do que certo, disse que isso era papel do SUS e que ele via isso toda noite. Discuti com o taxista até que um cara totalmente bombado disse que não valia a pena. Tinha razão, eu estava errado mesmo!

No final, a ambulância chegou e, finalmente, voltamos para casa. O saldo disso tudo? A garota que pegou meu telefone estava muito interessada e poucos dias depois, estávamos na Urca dentro do meu carro! Ah, e uma puta dor de cabeça no dia seguinte.