10 de Junho de 2009

LAPSOS

Nem sempre namoros começam repletos de paixão, nem sempre desembocam em amor e, quando é assim, quase sempre terminam mal. Namoros às vezes são uma questão de oportunidade, uma ficada que se desenvolveu além do previsto, uma garota que perdeu a virgindade contigo e você se sente responsável por isso... enfim, coisas que passam longe do que é necessário para uma relação saudável.

É claro, a gente se acostuma com a pessoa que está do nosso lado, principalmente no que diz respeito a sexo. A sincronia, o conhecimento do outro torna o sexo melhor, embora se perca o gostinho da novidade.

Mas nesse tipo de relacionamento, não nos sentimos completos. E, naquela hora do quase-sono, quando estamos prestes a dormir ou prestes a acordar é quando vem o lapso. O olho ainda está fechado quando vem à cabeça: "com quem mesmo estou namorando? Será que é com a fulana? Se fosse eu lembraria" – até que você acorda e descobre com quem realmente gostaria de estar.

19 de Março de 2009

SILÊNCIOS DESCONFORTÁVEIS

O restaurante era grande, mas sua decoração lembrava um quarto de motel. A vantagem é que havia um piano que eu poderia usar juntamente com o teclado para os shows, o que daria um excelente efeito no público. Que público?

Não havia divulgação, sequer um tijolinho no jornal. Aquilo ficava às moscas e, de vez em quando, apareciam uns gatos pingados ou uns amigos que os músicos chamavam. Foi assim que ela apareceu: era amiga da mãe de um amigo do baixista. Bem branquinha, cabelo curtinho, estava sempre com um cheiro doce de canela.

Reparei logo no primeiro show. Mais umas duas semanas e cheguei junto. Não me lembro se foi antes ou depois do show, mas gostei muito de seu beijo. Na semana seguinte, resolvemos esticar a noite na casa da amiga do baixista, que era louca pelo baterista.

Fomos para o sofá e quando tive coragem para pôr minha mão sob sua saia, reparei que estava sem calcinha. Fiquei louco! Queria transar ali de qualquer jeito. Ela gemia de tesão enquanto eu a masturbava e pensava em como levar aquilo adiante.

Não deu. A noite já havia ido e de manhã deixei-a em sua casa. Era só uma questão de oportunidade. Em outro show, mais perto da minha casa, passamos todo o tempo livre nos beijando. Ali, não havia jogo: eu precisava levar o teclado para casa e ela não podia perder a carona.

Liguei no dia seguinte: nos encontraríamos na Barra, num quiosque. Era quase um meio-termo entre nossas casas. Sentamos, pedi uma cerveja e ela, uma coca. Foi então que percebi o quanto aquilo tudo ia dar errado.

Cada vez que eu tentava engrenar uma conversa, ela respondia com um monossílabo e num tom que demandava esforço para ser entendido. Quando ela respondia mais longamente, não finalizava com uma pergunta para dar prosseguimento à conversa. Até que...

- (...)
- (...)
- Vamos embora daqui?
- Vamos. No seu carro ou no meu?

Levei-a para um motel ali perto. Mas a essa altura, o tesão já tinha se esvaído dentre aqueles silêncios desconfortáveis. Lá, tirei sua roupa e não me ative muito nas preliminares. Não foi lá essas coisas, mas ela parecia satisfeita, talvez não fosse muito exigente. Fomos para a banheira.

Novamente o silêncio. Mas depois, até que ele não é tão ruim. Nos encostamos, depois nos tocamos e só então comecei a ficar com tesão. A frustração intelectual estava passando e a coisa começou a esquentar de novo. Fomos novamente para a cama e consegui mostrá-la do que eu era capaz. Mas, pelo visto, foi só para satisfazer o meu ego, já que aquilo não seria capaz de evoluir.

Nos dias seguintes, evitei falar com ela. Atendi o telefone poucas vezes, não tinha a menor vontade de vê-la. Ela apareceu no meu show e eu decidi tornar a situação o menos desagradável possível. Sentamo-nos e conversamos. Disse-lhe que fiquei sem graça de ligar porque não queria levar adiante, ela se conformou.

Pouco tempo depois transou com o vocalista. E depois com o amigo dele. E percebi que eu não tinha muito mérito de ter transado com ela. Sua carência era tal que a tornava descartável.

11 de Março de 2009

CODA

Términos de namoro são algo complexo. A gente passa semanas, às vezes meses, planejando o que vai dizer, como vai dizer, que justificativas vai dar, se vai esperar ela fazer alguma besteira para usar como desculpa... enfim, no final, não há nada que torne a tarefa menos desagradável.

Mas uma vez terminada a relação, existe uma outra coisa que, embora não seja tão ruim, também desperta um desconforto considerável. É aquele reencontro após o final, aquele em que ela pede para voltar, ou te provoca ou ainda conversa com você como se fossem meros conhecidos. Uma coda tão angustiante quanto aquelas dos finais das músicas dos Guns N' Roses com a guitarra chorada do Slash e o falsete gritado do Axl.

Já passei por todas as situações acima. Apenas uma vez o reencontro foi tranquilo, até porque nosso relacionamento havia sido muito curto, apesar de ambos termos considerado um namoro enquanto estávamos juntos.

Tive uma, coitada, que nem se deu conta de que havíamos terminado. No dia após o término, ela apareceu na porta no meu prédio com flores e uma carta. Fiquei irritado, disse-lhe que não aparecesse assim sem avisar, mas de tanto insistir, disse que ia pensar. Não dei mais notícias até que ela me ligou dizendo que não aguentava mais esperar. Acabei terminando (de novo) por telefone, algo que ela dizia achar abominável (e eu também).

Com outra já foi mais complicado. A história já está contada e, apesar de reencontrá-la pedindo para voltar ter-me feito sentir por cima, levei um tempo até me recuperar de tudo. Até porque ela continuou fazendo contato comigo através de uma "guru" que ela tinha (era kardecista, eu achava tudo uma bobagem) que me ligava para dizer como ela estava mal, que não comia, que sua mãe pensou em interná-la... o drama de sempre. Eu respondi secamente: ela acha que vai morrer quando pega uma gripe, não se preocupe que ela sempre fica bem.

Teve mais uma que... bem, terminei o namoro de forma tão grosseira que a culpa me fez pedir para voltar no nosso primeiro reencontro. Mas isso é história para uma outra crônica.

18 de Fevereiro de 2009

AS PIORES DA NOITE

O lugar não tinha nada a ver comigo, e eu já sabia disso antes de ir. Mas o cara era meu amigo e era seu aniversário, achei que minha presença seria importante, algo que depois foi confirmado: "Pô, cara, fiquei até emocionado em te ver lá".

O fato é que eu sou roqueiro e aquela boate mulambenta no Centro conjugava desde playboy bombado a favelado, sem passar pela minha espécie. A decisão foi tomada ainda na entrada: um passe VIP me daria direito a cerveja e vodka (Natasha, é verdade) de graça.

Lá dentro, comecei logo a beber. Felizmente, não estava sozinho. Meus fiéis amigos entornaram todas comigo até que enjoamos de cerveja e de vodka vagabunda e começamos a pedir tequilas. A cada duas, ganhava-se mais uma que, quando ninguém mais queria, eu mesmo entornava.

Era hora de ir à caça. Já falando mole, avisei: "Hoje vou pegar as piores da boate". Uma, sinceramente, eu nem me lembro como era, mas a outra faria um tucano parecer ter um nariz delicado. Fiquei por aí mesmo e resolvi sentar no sofá numa lounge da boate.

Um amigo meu desmaiou no canto e só acordava para vomitar todo o chão do lugar. Não demorou e eu estava conversando com uma garota. Baixinha, bonitinha, me disse que esse meu amigo havia tentado agarrá-la, mas não parecia irritada. Talvez com pena. O papo fluiu como foi possível e acabamos trocando telefone.

Na saída, a amiga da tucano colapsou em plena rua, tendo convulsões e entrando em coma alcoólico. Eu, mais do que bêbado e completamente fora do meu juízo, tentei convencer um motorista de táxi a levá-la a um hospital de maneira nada simpática. O cara, mais do que certo, disse que isso era papel do SUS e que ele via isso toda noite. Discuti com o taxista até que um cara totalmente bombado disse que não valia a pena. Tinha razão, eu estava errado mesmo!

No final, a ambulância chegou e, finalmente, voltamos para casa. O saldo disso tudo? A garota que pegou meu telefone estava muito interessada e poucos dias depois, estávamos na Urca dentro do meu carro! Ah, e uma puta dor de cabeça no dia seguinte.

5 de Janeiro de 2009

PERTO DEMAIS

Quem nunca ficou doente de ciúme? Eu me considero um cara tranquilo, mas apenas na aparência. Tenho um autocontrole invejável, pois sei quando estou exagerando e quando tenho razões para me sentir assim.

Mas preciso confessar que quando assisti ao filme Closer, no cinema, fiquei com um tremendo mal-estar – o suficiente para não revê-lo quando passou na televisão. Na verdade, ele me remeteu a algumas experiências passadas que, por várias vezes, me fizeram perder a cabeça.

Como já escrevi por aqui, tive um relacionamento doentio, que poderia ter destruído a minha vida se meu senso de sobrevivência não tivesse falado mais alto. Ela pensava que todas as mulheres que passavam perto de mim me desejavam e, de alguma forma torta, pensava que brigar comigo faria com que eu não correspondesse.

Pior do que isso: costumava me provocar até eu perder a cabeça. De vez em quando, falava detalhes sobre seu namoro anterior, do tipo "quando eu ficava por cima, ele gozava muito rápido", ou "fulano falava tal coisa para mim". Tinha uma legião de admiradores, como um paulista que lhe enviava flores ou um garoto de dezoito anos para quem ela tinha dado pouco antes de nos conhecermos. Havia sido apaixonada por um francês com quem tivera um romance em Paris – aliás eu tinha certeza de que ela ainda gostava dele – e foi embora sem resolver a situação.

Esse tipo de coisa me deixava louco. Quando eu não conseguia mais transar com ela, ameaçava dar para o ex ou para outro que se interessasse. Minhas reações eram igualmente dramáticas. Não apenas uma vez tive de imobilizá-la no meio de uma crise histérica. Não somente uma vez chegamos às vias de fato quando ela partiu para cima de mim para me agredir.

Depois disso, aprendi a ler os sinais e nunca mais deixei uma relação chegar a esse ponto. É apenas um "desculpe, acho que não vamos dar certo juntos".

29 de Dezembro de 2008

NADA QUE VOCÊ NÃO QUEIRA

Alguma mulher acredita nessa frase? "Vamos lá, não vou fazer nada que você não queria..."

Confesso que soou estranho quando falei. Parecia aquele típico "lá eu dou um jeito de te comer", mas, de fato, não era. Até porque, nessa época, havia para mim coisas mais importantes do que sexo quando eu saía com uma mulher.

Ela era prima de um amigo, ficou a fim de mim assim que me viu. Três ou quatro anos mais velha do que eu, havia tido um ou dois caras a vida toda e levava o sexo muito a sério. Era inteligente, astuta e baiana; estava passando uns dias no Rio de Janeiro.

Logo, comecei a traçar minha estratégia para ganhá-la. Fomos em galera ao cinema, estratégia de seus primos para facilitar as coisas. Sentamo-nos isolados do resto do pessoal, o que tornou tudo mais fácil. Some-se a isso o fato do filme ser muito ruim e pronto, logo estávamos nos beijando.

Voltamos para a casa de seus primos, que foram dormir e nos deixaram a sós na sala. Tivemos uma conversa para lá de íntima; perguntei se ela gritava quando gozava. Respondeu: "você vai descobrir". Logo, nossas mãos começavam a explorar outras partes do corpo enquanto os beijos se tornavam mais intensos. Lembro-me da sensação assim que minha mão entrou em sua calcinha e percebi como estava molhada! E como era apertada!

Mas, para ela, sexo era coisa séria e não deixou que passássemos disso. Nos dias seguintes, foi difícil ficarmos sozinhos. Fomos ao cinema, mas o tesão falou mais alto. Perguntei se queria sair de lá, ao que respondeu afirmativamente.

No carro, decidíamos aonde iríamos. "Podemos ir para um motel, mas eu não vou transar com você. Só quero ficar sozinha contigo". Respondi: "Não vou fazer nada que você não queira". E ficou um certo mal-estar, de uma frase que conceitualmente já é falsa. Mas ela foi assim mesmo.

No motel, a coisa esquentou. Tirei sua roupa, mas ela não deixou que tirasse a minha. Beijei seu corpo todo e comecei a chupá-la com vontade. Penetrava-lhe com os dedos com bastante cuidado e passava a língua em seu clitóris a ponto dela tremer. Eu estava louco para tirar minha roupa e entrar com tudo, mas ela não iria deixar. Preferi que ficasse com uma boa impressão de mim.

E, finalmente, descobri: ela gritava – e bem alto. Em mim, ela não quis fazer muita coisa. Me masturbou até eu gozar, nada que eu não pudesse fazer sozinho. Voltamos para a casa de seus primos e eu fiquei com uma sensação de frustração. Ela iria embora no dia seguinte e eu sabia que nossa história acabaria por ali mesmo.

18 de Dezembro de 2008

UM PRATO QUE SE COME FRIO

Lembro-me de uma anedota a respeito do presídio de Ilha Grande, apesar de ter-me esquecido das personagens. Consta que um preso, comunista, estranhou o fato de os carrascos os tratarem tão bem e perguntou para um deles o motivo. A resposta? "Nós já vimos tanta coisa aqui... a gente nunca sabe onde os presos de hoje vão estar amanhã".

Bem, estava eu entrando numa nova escola para cursar a sétima série quando deparei-me com aquela criatura: um dos maiores FDPs do meu prédio estava justamente na minha turma. Eu sabia que aquilo não ia prestar e, como ele parecia umas dez vezes mais forte que eu, vi que seriam anos muito difíceis dali para frente.

Não estava errado. Todos os dias ele dava um jeito de me sacanear. Até tentei iniciar uma amizade para ver se a coisa se atenuava, mas ele ficava tentando arrancar meu dinheiro vendendo coisas inúteis a preços absurdos, como gravações em fita cassete. Logo vi que apanhar doeria menos.

Houve uma vez particular em que eu fugi para o elevador na volta da escola, mas uma amiga dele segurou até que ele chegasse para me bater. Dessa vez, subi em casa, peguei uma faca e fui caçá-lo no prédio. Felizmente, não o encontrei, pois as chances dessa faca terminar dentro de mim seriam grandes (essa amiga dele hoje é uma obesa infeliz e continua morando no mesmo lugar).

Na oitava série, ele acabou expulso por vender cigarros de báli para suas "amigas", umas garotas que ele levava para o canto na hora do recreio. Na verdade era somente um pretexto, já que ninguém o queria estudando lá. Deve ter-se matriculado num desses PPPs para terminar o segundo grau.

Quase dez anos depois, liga para a minha casa de madrugada. Precisava de dinheiro porque fora pego fumando maconha na praia, segundo disse. Para mim, ele queria comprar mais maconha ou pó, ou precisava mesmo era pagar dívida com traficantes. Disse-lhe que não podia ajudar.

Durante alguns dias, ele continuou ligando, dizendo que não podia pedir dinheiro a sua mãe, que a polícia havia retido seus documentos, entre outras histórias.

Da última vez, disse-me a seguinte frase: "Pensei que, em nome da nossa velha amizade, você poderia me ajudar". Respondi: "De que amizade você está falando? Nunca fomos amigos, cara. Talvez se você não tivesse sido tão escroto quando era moleque, pudesse contar com a minha ajuda agora. Liga para os seus amigos daquela época, vê se eles podem de ajudar. E, por favor, não ligue mais para minha casa, se não a polícia vai ter mais um motivo para conversar com você". Desliguei o telefone e nunca mais ouvi falar dele.

18 de Novembro de 2008

POR CIMA DA BLUSA

Chamar um adolescente de tarado é quase um pleonasmo. Nessa fase, adoramos ônibus lotado, metrô igual a lata de sardinha, desde que haja mulheres a nossa volta. Nunca vi um adolescente reclamar por ser sanduichado entre dois peitos e uma bunda. Você já?

E é com essa idade que desenvolvemos nossas técnicas para enxergar aquilo que queremos. Foi então que aprendi a detectar, por exemplo, se uma mulher estava usando sutiã ou não. Olhar por cima da blusa virou um esporte: primeiro, verificar se há alguma alça. Depois, ver se tem marca de sutiã nas costas ou nos seios. Se estiver usando sutiã, ver se ele é daquele tipo duro, que acaba deixando um espaço que mostra um pouco do que queremos ver. E, no final, temos uma coleção de imagens para inspiração.



Conforme o tempo passa, diminuímos nossa cara-de-pau e aprendemos a ser discretos. Entram em cena os óculos escuros, que atrapalham a visão mas deschavam a nossa intenção. Não somos mais tão tarados como antes, mas as técnicas... essas a gente nunca esquece.

10 de Novembro de 2008

PRIMA DONNA

Eu tinha doze anos, ela devia ter mais ou menos o dobro da minha idade. Sempre tive uma queda por ela. Na verdade não era queda: era tesão mesmo! Ela gostava de me abraçar bem de perto, muitas vezes colando o corpo no meu. Às vezes, eu a abraçava por trás e sua mão ia deslizando até... bem, algumas coisas não eram possíveis de ser controladas. Eu me encostava nela sempre que possível, adorava aquele jogo, e me masturbava feito um louco pensando em tudo o que gostaria de fazer.


É claro que nada era dito. As regras eram essas e, é claro, eu sempre sairia perdendo. Eu, ainda pré-adolescente, nunca teria a iniciativa e ela também não. O grande problema: era minha prima de primeiro grau.

Até que um dia, na casa de seu pai em Minas Gerais, estava procurando papel e lápis para escrever. Tinha idéia para um conto, que acabou não saindo lá muito bom, mas foi um bom exercício. Perguntei para o meu primo e ele me mandou buscar com ela. Entrei em sua suíte, totalmente aberta, e encontrei-a nua, de costas, diante do espelho do banheiro, preparando-se para tomar banho.

Não esperava vê-la assim; saí correndo, assustado, e ela fez que nem viu. Aquela imagem nunca saiu da minha cabeça. Até hoje me pego pensando como teria sido se eu tivesse entrado, falado com ela, ou se ela tivesse resolvido tirar a minha virgindade daquele jeito, no susto. Mas essa é mais uma daquelas coisas que vão ficar para sempre na fantasia.

13 de Outubro de 2008

E AÍ, NADA!

Ela parecia inteligente pelo teor de suas perguntas na aula; vivida, pois já tinha morado fora do país e retornara para terminar a faculdade; ligeiramente mais velha que eu, talvez um ou dois anos; e bonita, mas nada demais, mas aquele cabelo curtinho a deixava com cara de intelectual.

Saindo da faculdade, sentamo-nos para comer um podrão nos fundos da faculdade. Conversamos sobre política, sobre a faculdade, sobre futuro e sobre a minha banda, que faria um show naquele fim de semana. Prontamente convidei-a a assistir, já cheio de intenções. Ela aceitou sem relutar.

Fiz a minha matemática: caso ela viesse sozinha, era porque estava a fim. Não haveria problema em dar-lhe um beijo depois do show e prolongar a noite em algum lugar, preferencialmente dentro do carro na Urca. Caso viesse acompanhada, havia uma chance de deixar sua companhia em casa antes de ficarmos – ou ela realmente estava a fim de assistir ao show.

Foi sozinha e minha matématica deu resultado positivo. Após o show, nos beijamos ainda na casa e fomos para o carro. Levei-a para a Urca, mas tudo correu de forma muito comportada. Apenas umas mãos (minhas) por cima da roupa e nada mais.

Na segunda-feira, nos encontramos na faculdade. Parti para dar um beijo em sua boca, mas ela apenas me ofereceu a bochecha. Pensei: "qual é o problema? Não quer mais ou não assume o que faz?" – e segui meu caminho. Algumas horas mais tarde, ao me avistar do outro lado, ela fez sinal com o dedo para eu telefonar mais tarde.

Fiquei irritado: sempre que eu ficava com alguém e queria uma continuação, fazia questão de deixar isso claro, nunca com beijinhos na bochecha. Senti-me desrespeitado com sua atitude de pedir para eu telefonar. Quer dizer que na frente dos outros não podia ficar comigo?



Já saindo da faculdade, de carro, ela me parou e veio à janela.
"E aí?", me perguntou. Respondi-lhe com a cara mais blasé: "E aí, nada!". E fui-me embora.