@paraotumulo

28 de dezembro de 2007

A MAÇÃ ENVENENADA

Como vocês sabem, sempre tive o porte físico magro e só recentemente adquiri um peso compatível com a minha altura, que beira um metro e noventa. Mas a melhor explicação para essa minha dificuldade com o peso e a quantidade absurda de comida que sou capaz de ingerir é o meu metabolismo ultra-acelerado, que, obviamente, tem outras conseqüências.

A pior, eu acho, é a minha relação com o sono. Não tenho exatamente insônia, mas algo mais complexo me acomete quando é chegada a hora de dormir. Não consigo deitar até estar apagando, caso contrário, sou capaz de passar horas na cama de um lado para o outro. Vez por outra, tomo um rivotril ou qualquer torpedinho para me afundar, coisa leve, mas não é algo que possa ser feito com freqüência.

Falando em torpedo, lembro-me quando estava num avião para a Inglaterra, classe econômica, e era incapaz de fechar os olhos. Tomei uma dose de uísque, e nada. Pedi a segunda – e foi quando uma das pessoas que viajavam comigo me ofereceu meio comprimido de Rohypnol, prontamente aceito. Engoli o comprimido com o resto do uísque e... nada! Acabei conseguindo dormir somente uma horinha antes do pouso.

A conseqüência de não dormir à noite? Sono diurno, ora pois! Já fiquei conhecido por dormir no trabalho, por mais inusitada ou barulhenta que seja a situação. Outro macete, além da cabeça na almofada do mouse, é dormir no banheiro – algo que faço desde que comecei a estudar de manhã na segunda série primária.

Acho que o meu dia deveria ter mais de vinte e quatro horas. Talvez esse seja o meu problema, um relógio biológico com horas de uns oitenta minutos! Mas a gente acaba se adaptando, dormindo três, quatro, cinco horas por noite e descontando tudo no fim de semana, normalmente acompanhado por uma ressaca fenomenal e garrafinhas d'água ao lado da cama!

14 de dezembro de 2007

TEMPO

A gente tem mania de reclamar da passagem do tempo. Sem cair no clichê de "mais um dia, um dia a menos", somos saudosistas e melancólicos, vivemos dizendo que o passado era melhor e tal.
Bem, é verdade que perdemos algumas coisas (além do cabelo) com o passar do tempo. Acho que o mais triste de tudo é ver nossos pais envelhecendo e saber que não tarda eles já não estarão ali quando mais se precisar. Mas na fase da minha vida em que estou, prestes a completar, no próximo ano, três décadas de existência, tenho muito pouco do que reclamar.

Estou no auge, em todos os sentidos. Não tenho mais as paranóias da infância nem da adolescência, não me iludo com mulheres. Pelo contrário, aprendi, se não a entendê-las, a lidar com elas, a prever um pouco suas reações e a agir de acordo. Não tenho mais a pressa que tinha para ter alguém ao meu lado: posso passar meu tempo escolhendo e testando.

Conquistei independência financeira e levo a minha vida pelo caminho que escolhi, sem maiores percalços. Tenho menos dúvidas, mas também menos certezas. Vivo o momento e, para mim, isso basta. Time is on my side, yes it is.