Naquela época, a minha auto-estima não era sombra do que é hoje. É claro que ela, ardilosa, entendeu isso e soube usar para me prender. O sexo era absurdamente intenso. Fizemos de todas as formas, por todos os lugares. Foi com ela que transei pela primeira vez no elevador: eu apertava o botão de emergência para parar entre os andares e, quando saíamos, a cabine cheirava a sexo.
As fantasias se multiplicavam; histórias de cama tomaram uma conotação completamente diferente. De vez em quando ela pedia para eu bater – o sexo podia ficar bem violento. Comprou um espartilho, fez depilação total, fazia o que eu pedisse na cama. Lembro-me de algo que ficara na minha cabeça, dito por um amigo meu: "Patricinha é bom de comer o cu e gozar na cara". É claro que experimentei isso com ela. Lá estava ela de quatro e eu penetrando por trás. Ela gritava de tesão e eu me controlava para prolongar aquele sexo de filme pornô. Na hora H, puxei-a pelo cabelo, tirei e acertei seu rosto em cheio. Ela quase se afogou na minha porra tentando respirar. Simulações de estupro também faziam parte de nosso repertório.
Tão intenso quanto o sexo era seu ciúme doentio. Para ela, todas as mulheres do Rio de Janeiro estavam me dando mole e eu, pelo visto, correspondia. O que dizer do meu passado? Boa parte das crônicas que aqui estão publicadas aconteceram antes de eu conhecê-la e eu, burramente, não escondia nada dela. Só depois aprendi que a mentira pode ser mais honesta do que a sinceridade.
As brigas eram de fazer inveja a qualquer novela e eram particularmente violentas. Uma vez, retruquei um tapa que me deu na cara. Nunca me arrependi disso. Ela ameaçava suicidar-se, eu me desesperava. A reconciliação era sempre um sexo cinematográfico, mas a cada capítulo, algo se perdia. Até que um dia, foi embora o meu tesão.
A primeira broxada tirou ela de si. Como alguém que se julgava tão perfeita, bonita, sexy e boa de cama podia não conseguir deixar o namorado com tesão? Sim, dessa vez, a culpa era dela, mas não na cama. Era só todo o resto.
A coisa piorou. Ela me acusou de ter tesão em uma amiga lésbica horrorosa que ela tinha. Depois disse que ia dar para o ex-namorado. E não faltavam caras atrás dela, admiradores, ex-namorados, ex-casos... mas, por algum motivo, isso não era tão importante para ela quanto eu a ponto de ela me dar um pé na bunda e arrumar outro que a comesse decentemente.
Até que aconteceu o episódio de Minas. Era a injeção de autoestima que eu precisava para ser independente de novo. Tivemos mais uma briga quando voltei – foi o estopim. No dia seguinte terminei. Ela ameaçou se matar; disse-lhe que isso agora era problema dela. Obviamente ela não levou isso a cabo.
Dias depois, me chamou para encontrá-la num shopping em Botafogo. Deu um presente para eu entregar para a minha mãe (era seu aniversário) e uma carta pedindo, implorando para voltar. A cena melancólica dela tentando me beijar e eu virando o rosto resume o que aconteceu.
Poucos meses depois, tentou fazer contato. Mandou-me um email dizendo que precisava desesperadamente conversar. Achei melhor dizer para me ligar. Atendi o telefone na manhã seguinte e era ela: seu namorado a havia traído. Pensei em agradecer o cara e acabei culpando-a pela traição.
– "Como você descobriu?"
– "Perguntei para ele"
– "Sei bem como você pergunta as coisas!"
– "Tava na cara dele!"
– "É, mas tantas vezes esteve na minha cara e nunca aconteceu nada. Você não sabe mesmo como segurar um homem."