29 de dezembro de 2008

NADA QUE VOCÊ NÃO QUEIRA

Alguma mulher acredita nessa frase? "Vamos lá, não vou fazer nada que você não queria..."

Confesso que soou estranho quando falei. Parecia aquele típico "lá eu dou um jeito de te comer", mas, de fato, não era. Até porque, nessa época, havia para mim coisas mais importantes do que sexo quando eu saía com uma mulher.

Ela era prima de um amigo, ficou a fim de mim assim que me viu. Três ou quatro anos mais velha do que eu, havia tido um ou dois caras a vida toda e levava o sexo muito a sério. Era inteligente, astuta e baiana; estava passando uns dias no Rio de Janeiro.

Logo, comecei a traçar minha estratégia para ganhá-la. Fomos em galera ao cinema, estratégia de seus primos para facilitar as coisas. Sentamo-nos isolados do resto do pessoal, o que tornou tudo mais fácil. Some-se a isso o fato do filme ser muito ruim e pronto, logo estávamos nos beijando.

Voltamos para a casa de seus primos, que foram dormir e nos deixaram a sós na sala. Tivemos uma conversa para lá de íntima; perguntei se ela gritava quando gozava. Respondeu: "você vai descobrir". Logo, nossas mãos começavam a explorar outras partes do corpo enquanto os beijos se tornavam mais intensos. Lembro-me da sensação assim que minha mão entrou em sua calcinha e percebi como estava molhada! E como era apertada!

Mas, para ela, sexo era coisa séria e não deixou que passássemos disso. Nos dias seguintes, foi difícil ficarmos sozinhos. Fomos ao cinema, mas o tesão falou mais alto. Perguntei se queria sair de lá, ao que respondeu afirmativamente.

No carro, decidíamos aonde iríamos. "Podemos ir para um motel, mas eu não vou transar com você. Só quero ficar sozinha contigo". Respondi: "Não vou fazer nada que você não queira". E ficou um certo mal-estar, de uma frase que conceitualmente já é falsa. Mas ela foi assim mesmo.

No motel, a coisa esquentou. Tirei sua roupa, mas ela não deixou que tirasse a minha. Beijei seu corpo todo e comecei a chupá-la com vontade. Penetrava-lhe com os dedos com bastante cuidado e passava a língua em seu clitóris a ponto dela tremer. Eu estava louco para tirar minha roupa e entrar com tudo, mas ela não iria deixar. Preferi que ficasse com uma boa impressão de mim.

E, finalmente, descobri: ela gritava – e bem alto. Em mim, ela não quis fazer muita coisa. Me masturbou até eu gozar, nada que eu não pudesse fazer sozinho. Voltamos para a casa de seus primos e eu fiquei com uma sensação de frustração. Ela iria embora no dia seguinte e eu sabia que nossa história acabaria por ali mesmo.

18 de dezembro de 2008

UM PRATO QUE SE COME FRIO

Lembro-me de uma anedota a respeito do presídio de Ilha Grande, apesar de ter-me esquecido das personagens. Consta que um preso, comunista, estranhou o fato de os carrascos os tratarem tão bem e perguntou para um deles o motivo. A resposta? "Nós já vimos tanta coisa aqui... a gente nunca sabe onde os presos de hoje vão estar amanhã".

Bem, estava eu entrando numa nova escola para cursar a sétima série quando deparei-me com aquela criatura: um dos maiores FDPs do meu prédio estava justamente na minha turma. Eu sabia que aquilo não ia prestar e, como ele parecia umas dez vezes mais forte que eu, vi que seriam anos muito difíceis dali para frente.

Não estava errado. Todos os dias ele dava um jeito de me sacanear. Até tentei iniciar uma amizade para ver se a coisa se atenuava, mas ele ficava tentando arrancar meu dinheiro vendendo coisas inúteis a preços absurdos, como gravações em fita cassete. Logo vi que apanhar doeria menos.

Houve uma vez particular em que eu fugi para o elevador na volta da escola, mas uma amiga dele segurou até que ele chegasse para me bater. Dessa vez, subi em casa, peguei uma faca e fui caçá-lo no prédio. Felizmente, não o encontrei, pois as chances dessa faca terminar dentro de mim seriam grandes (essa amiga dele hoje é uma obesa infeliz e continua morando no mesmo lugar).

Na oitava série, ele acabou expulso por vender cigarros de báli para suas "amigas", umas garotas que ele levava para o canto na hora do recreio. Na verdade era somente um pretexto, já que ninguém o queria estudando lá. Deve ter-se matriculado num desses PPPs para terminar o segundo grau.

Quase dez anos depois, liga para a minha casa de madrugada. Precisava de dinheiro porque fora pego fumando maconha na praia, segundo disse. Para mim, ele queria comprar mais maconha ou pó, ou precisava mesmo era pagar dívida com traficantes. Disse-lhe que não podia ajudar.

Durante alguns dias, ele continuou ligando, dizendo que não podia pedir dinheiro a sua mãe, que a polícia havia retido seus documentos, entre outras histórias.

Da última vez, disse-me a seguinte frase: "Pensei que, em nome da nossa velha amizade, você poderia me ajudar". Respondi: "De que amizade você está falando? Nunca fomos amigos, cara. Talvez se você não tivesse sido tão escroto quando era moleque, pudesse contar com a minha ajuda agora. Liga para os seus amigos daquela época, vê se eles podem de ajudar. E, por favor, não ligue mais para minha casa, se não a polícia vai ter mais um motivo para conversar com você". Desliguei o telefone e nunca mais ouvi falar dele.