PERTO DEMAIS
Quem nunca ficou doente de ciúme? Eu me considero um cara tranquilo, mas apenas na aparência. Tenho um autocontrole invejável, pois sei quando estou exagerando e quando tenho razões para me sentir assim.
Mas preciso confessar que quando assisti ao filme Closer, no cinema, fiquei com um tremendo mal-estar – o suficiente para não revê-lo quando passou na televisão. Na verdade, ele me remeteu a algumas experiências passadas que, por várias vezes, me fizeram perder a cabeça.
Como já escrevi por aqui, tive um relacionamento doentio, que poderia ter destruído a minha vida se meu senso de sobrevivência não tivesse falado mais alto. Ela pensava que todas as mulheres que passavam perto de mim me desejavam e, de alguma forma torta, pensava que brigar comigo faria com que eu não correspondesse.
Pior do que isso: costumava me provocar até eu perder a cabeça. De vez em quando, falava detalhes sobre seu namoro anterior, do tipo "quando eu ficava por cima, ele gozava muito rápido", ou "fulano falava tal coisa para mim". Tinha uma legião de admiradores, como um paulista que lhe enviava flores ou um garoto de dezoito anos para quem ela tinha dado pouco antes de nos conhecermos. Havia sido apaixonada por um francês com quem tivera um romance em Paris – aliás eu tinha certeza de que ela ainda gostava dele – e foi embora sem resolver a situação.
Esse tipo de coisa me deixava louco. Quando eu não conseguia mais transar com ela, ameaçava dar para o ex ou para outro que se interessasse. Minhas reações eram igualmente dramáticas. Não apenas uma vez tive de imobilizá-la no meio de uma crise histérica. Não somente uma vez chegamos às vias de fato quando ela partiu para cima de mim para me agredir.
Depois disso, aprendi a ler os sinais e nunca mais deixei uma relação chegar a esse ponto. É apenas um "desculpe, acho que não vamos dar certo juntos".




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