SILÊNCIOS DESCONFORTÁVEIS
O restaurante era grande, mas sua decoração lembrava um quarto de motel. A vantagem é que havia um piano que eu poderia usar juntamente com o teclado para os shows, o que daria um excelente efeito no público. Que público?
Não havia divulgação, sequer um tijolinho no jornal. Aquilo ficava às moscas e, de vez em quando, apareciam uns gatos pingados ou uns amigos que os músicos chamavam. Foi assim que ela apareceu: era amiga da mãe de um amigo do baixista. Bem branquinha, cabelo curtinho, estava sempre com um cheiro doce de canela.
Reparei logo no primeiro show. Mais umas duas semanas e cheguei junto. Não me lembro se foi antes ou depois do show, mas gostei muito de seu beijo. Na semana seguinte, resolvemos esticar a noite na casa da amiga do baixista, que era louca pelo baterista.
Fomos para o sofá e quando tive coragem para pôr minha mão sob sua saia, reparei que estava sem calcinha. Fiquei louco! Queria transar ali de qualquer jeito. Ela gemia de tesão enquanto eu a masturbava e pensava em como levar aquilo adiante.
Não deu. A noite já havia ido e de manhã deixei-a em sua casa. Era só uma questão de oportunidade. Em outro show, mais perto da minha casa, passamos todo o tempo livre nos beijando. Ali, não havia jogo: eu precisava levar o teclado para casa e ela não podia perder a carona.
Liguei no dia seguinte: nos encontraríamos na Barra, num quiosque. Era quase um meio-termo entre nossas casas. Sentamos, pedi uma cerveja e ela, uma coca. Foi então que percebi o quanto aquilo tudo ia dar errado.
Cada vez que eu tentava engrenar uma conversa, ela respondia com um monossílabo e num tom que demandava esforço para ser entendido. Quando ela respondia mais longamente, não finalizava com uma pergunta para dar prosseguimento à conversa. Até que...
- (...)
- (...)
- Vamos embora daqui?
- Vamos. No seu carro ou no meu?
Levei-a para um motel ali perto. Mas a essa altura, o tesão já tinha se esvaído dentre aqueles silêncios desconfortáveis. Lá, tirei sua roupa e não me ative muito nas preliminares. Não foi lá essas coisas, mas ela parecia satisfeita, talvez não fosse muito exigente. Fomos para a banheira.
Novamente o silêncio. Mas depois, até que ele não é tão ruim. Nos encostamos, depois nos tocamos e só então comecei a ficar com tesão. A frustração intelectual estava passando e a coisa começou a esquentar de novo. Fomos novamente para a cama e consegui mostrá-la do que eu era capaz. Mas, pelo visto, foi só para satisfazer o meu ego, já que aquilo não seria capaz de evoluir.
Nos dias seguintes, evitei falar com ela. Atendi o telefone poucas vezes, não tinha a menor vontade de vê-la. Ela apareceu no meu show e eu decidi tornar a situação o menos desagradável possível. Sentamo-nos e conversamos. Disse-lhe que fiquei sem graça de ligar porque não queria levar adiante, ela se conformou.
Pouco tempo depois transou com o vocalista. E depois com o amigo dele. E percebi que eu não tinha muito mérito de ter transado com ela. Sua carência era tal que a tornava descartável.





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