26 de outubro de 2009

PRELIMINARES

As mulheres têm mania de reclamar que os homens são apressadinhos, que já querem partir para o "vamos ver" sem nem dar uma esquentada antes e que importam com as preliminares. Sempre ouvi dizer também que a prática é mais importante para as mulheres do que para os homens, pois elas demoram mais para entrar no clima.

Na minha opinião, nem tudo isso é verdade. Eu sou um ávido praticante de preliminares detalhadas e, normalmente, estou disposto a demorar tanto quanto no sexo em si e, em alguns casos, até mais. Outro dia, conheci uma garota numa boate e acabamos indo para a minha casa. Quando ameacei beijar seu corpo, ela me travou como se quisesse começar tudo logo. É claro que não deu certo, porque, com a tensão de estar na casa de um desconhecido, acabou ficando travada. Eu também acabei não entrando direito no clima.

Um amigo meu diz que acha necessário fazer sexo oral na mulher antes para "garantir o resultado da partida no primeiro tempo". Fato: se o sexo for ruim, pelo menos ela gozou logo no começo. E mesmo se não tiver gozado, pôde curtir um trabalho bem feito. Porque – sim – alguns de nós nos importamos mais com o prazer que a mulher tem do que com o nosso próprio e é isso que nos diferencia dos demais; essa necessidade de aprovação masculina é universal e nos acompanha por toda a vida.

Dificilmente eu transo sem curtir longas preliminares, pois também preciso entrar no clima. Até porque nesses tempos de sexo emborrachado, a excitação precisa compensar a falta de sensibilidade que a camisinha proporciona. É claro que precisamos saber quando a mulher está satisfeita, pois perder o timing é tão grave quanto partir logo para o ataque. Mas, cá entre nós, isso não é muito difícil, pois as mulheres sabem melhor do que ninguém mostrar o que querem nessa hora.

20 de outubro de 2009

MICOSE

Carnaval é assim, a gente se sujeita a coisas a que, normalmente, jamais se sujeitaria. Isso aconteceu comigo numa cidade do litoral catarinense.

Era pra ser uma daquelas ficadas 2 a 2. Dois amigos encontram duas amigas, cada um chega em uma, o primeiro pega, a segunda fica sem graça de ficar sozinha e acaba ficando com o segundo. Não tinha erro.

Acho que ele não levou dois minutos para cumprir a sua parte. Eu, um pouco mais educado (pra não dizer lento), preferi perguntar o nome primeiro, saber um pouco mais dela, essas coisas sem relevância.

Fomos para o quarto do hotel, os quatro, mas lá eu sabia que não ia rolar nenhuma sacanagem, até porque tinha mais gente junto. Ali, no claro, eu percebi que a mulher era um pouco pior do que parecia. E para completar, ela parecia ter uma micose bem no peito, algo, no mínimo, broxante.

Nesse momento, fiquei aliviado por haver mais gente no quarto. Depois de um tempo enrolando, as duas nos chamaram para levá-las para o hotel. Foi quando, prudentemente, tirei as camisinhas do bolso e joguei sobre a cama para não correr o menor risco de transar com ela.

Isso foi num tempo remoto, dez anos atrás, uma época em que eu era capaz de dizer não para sexo. Hoje eu me pergunto se ainda sou...

8 de outubro de 2009

CIGARRO DE BÁLI

Sou um antitabagista confesso, desses que vêem o fumante como vítima e carrasco ao mesmo tempo, blablablá e tal. Na minha vida, nunca fumei um careta por achar que não só a onda devia ser sem graça, mas por ver que todos à minha volta que tentavam parar de fumar tinham uma enorme dificuldade de largar o vício.

Mas até hoje o cheiro de um cigarro de Báli me inebria. Esse aroma adocicado de cravo, mesmo com o fedor do tabaco, faz parte de algumas das memórias mais agradáveis da minha vida. Quando eu era adolescente, esse tipo de cigarro estava na moda, ainda mais porque corria um boato de que dois porcento dele era composto por maconha, algo totalmente inverídico.

Era engraçado, pois eu praticamente só via mulheres (meninas, às vezes) com um aceso, talvez por seu sabor adocicado. Elas eram descoladas, não por causa do cigarro, mas por causa da galera com quem andavam, normalmente bonitas, algo inteligentes e com um papo cativante. Foram algumas das poucas que não me deram fora antes mesmo de eu tentar alguma coisa quando era novo, mesmo que não fosse rolar nada.

E até hoje esse aroma de cravo queimado com tabaco aciona as minhas memórias e me faz sentir excitado e inseguro, como se tivesse dezoito anos.