Entro no vagão. Linda, pouco menos de 1,60m, cabelos pretos, longos, lisos, olhos castanhos escuros e um belo par de seios. Chego perto, ela percebe. Os fones de ouvidos dos dois impedem qualquer contato verbal, mas isso não parece necessário.
Desço a mão no balaústre até a altura de seu corpo. Cada movimento do vagão é uma desculpa para que ela encoste em mim. Quando olho para o outro lado, percebo seu rosto virar em minha direção e seus olhos me fitam rapidamente.
O vagão enche e a tensão aumenta. Como falar com ela? Como fazer contato? A essa altura, sua mão já encosta na minha suavemente. Meu coração dispara. Penso em tirar um papel do bolso e anotar meu telefone, mas me falta iniciativa.
A estação se aproxima. Sinto que vou perder mais essa. A porta abre e nós dois saímos. Ela não olha mais para trás e eu, derrotado, sigo o caminho de meu trabalho.


