@paraotumulo

15 de janeiro de 2011

NOT A DATE (parte 2)

Passaram-se alguns anos. Três, eu acho. Mas a diferença entre dezenove e vinte e dois anos é muito maior do que o numeral indica.

Eu tinha um aniversário de um amigaço para ir num bar na praia. Estava fazendo hora no messenger quando ela entrou online com uma frase reclamando que carioca era de açúcar. Entendi que seu programa tinha melado (com o perdão do trocadilho) por causa chuva e arrisquei: chamei-a para o aniversário.

– Vamos sim! – disse. E complementou: – Mas preciso te avisar uma coisa. This is not a date.

Quantas vezes na minha vida ouvi isso? Não vou ficar com você! Não vou te dar! Era só uma questão de circunstância. E ela tinha me dado o que eu mais queria: a ausência de um compromisso futuro.

Fomos, bebemos, conversamos, nos entrosamos. Na saída, convidei-a para uma boate e ela prontamente aceitou. Nos beijamos ainda no táxi e mais ainda na pista de dança. No final, fui para sua casa, mas, para minha surpresa, ela não me deixou subir, alegando que não morava sozinha.

Saímos mais algumas vezes para o mesmo lugar, eu sempre tentando excitá-la o máximo possível. Até que ela me disse: "Não é justo, na minha idade, os hormônios estão à flor da pele!", ao que eu respondi: "É justamente com isso que eu conto".

Nosso próximo encontro foi na sua casa. Sua roomie não estava e acabamos vendo um filme em sua TV. As coisas esquentaram bastante, mas ela não colocava sua mão onde eu queria. O máximo que fiz foi tirar sua blusa. Ela tinha seios pequenos, mas belos. Eu realmente não tenho preferência por tamanho. Quando eu passava minha língua neles, ela chegava a tremer.

Enfim era hora dela vir à minha casa. Dessa vez as coisas esquentaram mais. Depois de vermos um filme do DVD, fomos para o meu quarto e eu insisti que tirasse a roupa. Ela disse que estava menstruada e resistiu bastante a transar comigo. "É o que dá pegar menininhas de vinte e dois anos", disse. Mas a excitação foi muita e ela não se aguentou. Mas disse uma frase que me intrigou: "Como eu posso querer tanto algo que me causa tanta dor?".

Não entendi nada. Não achava que ela fosse virgem nem nada, mas na hora, agiu como se fosse. Foi um sexo difícil, mas muito gostoso. Não sei o que é isso de nós, homens, nos sentirmos excitados com uma certa dose de dor da mulher. Uma amiga me explicou que, se não fosse assim, as mulheres morreriam virgens. Ainda assim, fiquei na dúvida, até porque ela estava, de fato, menstruada, mesmo que no final do ciclo, e não seria o sangue que me indicaria se era ou não sua primeira vez. Fiquei sem graça de perguntar.

Só vim a saber a verdade na outra vez em que nos encontramos, quando ela me confessou que a camisinha machucava bastante. Comprei, então, uma penca de lubrificantes em sachê. Ajudou, de fato, mas não resolveu. O que me incomodava, na verdade, era o fato de que ela tinha vergonha de receber sexo oral e, como eu já disse, é a minha preliminar favorita para deixar a mulher no ponto.

Continuamos nos vendo esporadicamente. Uma vez ela me chamou para uma festa na casa de uns amigos. Disse que não poderia ir, pois já havia combinado outra coisa, mas passaria lá na volta para levá-la para a minha casa. Assim o fiz, mas acabei ficando um pouco. Ela já estava um pouco mais do que alta e eu a seco quando resolvemos ir embora.

As coisas esquentaram ainda no carro. No meu quarto, tiramos a roupa e ela sussurrou no meu ouvido: "Posso contar uma fantasia?" – e eu disse: "Claro". "Me domina!".

Aproveitei a deixa. Segurei seus braços por sobre sua cabeça e fui deslizando pelo seu corpo até chegar onde queria. Ela ficou um pouco constrangida no começo, mas logo soltou um "que gostoso!" ofegante. Como é bom dar prazer para uma mulher! Como é bom mostrar coisas novas, que ela não imaginava serem tão boas! Transamos loucamente, em todas as posições, por cima, de quatro, de lado!

No dia seguinte, ela estava diferente. O "not a date" parecia estar se esvaindo mais e mais. Ela se sentava no meu colo, me dava beijinhos pelo pescoço... "É o que dá ensinar coisas novas e gostosas". Aquilo me assustou. É impressionante como é mais fácil para nós homens separarmos sexo de amor ou de relacionamento.

Na semana seguinte, viajei com o meu amigo e decidi me afastar dela. Não queria que ela confundisse as coisas. Voltamos a nos encontrar mais uma vez na boate, onde só ficamos, e ela me disse: "Você fez falta...". Mais um alerta. Outra vez, chamei-a para jantar pelo messenger e ela aceitou e, para variar, terminamos a noite na minha cama.

Mas não achei justo continuar assim. Ela poderia envolver-se demais e eu poderia machucá-la ou, o que é pior, acabar cedendo e começando um relacionamento para magoá-la bem mais depois. Preferi manter contato trocando mensagens esporádicas e tratando-a sempre com carinho. E distância.

1 de janeiro de 2011

NOT A DATE (parte 1)

Pré-final de relacionamento, quando você já se refere a ela como sua futura ex. Hora de preparar as jogadas e alinhar as peças para o próximo jogo. Naquela viagem, tudo quase aconteceu. Mas, na volta, consegui o pior lugar do ônibus: aquele último ao lado do banheiro. O assento ao lado ainda estava vazio, então só me restava torcer para uma garota interessante sentar-se ao meu lado.

Lá estava ela, procurando o seu lugar, quando bateu o olho em mim. Disfarçou um sorriso. Feliz é o homem que percebe quando uma mulher está interessada. Sentou-se e, não demorou, começamos a conversar. Mas, como em toda viagem noturna, acabamos dormindo. Após algumas horas, acordamos com o ônibus parado. Um acidente havia interditado a estrada.

Conversamos mais. Descobri que era prima da ex-namorada do meu primo. Conversamos bastante antes da partida e acabamos dormindo encostados, dividindo o fone de ouvido.

Chegamos no Rio e nos despedimos sem trocar telefone. Eu ainda não estava solteiro, não queria dar muito mole. Fui direto para o trabalho, mas, ao chegar em casa, ela me havia adicionado no orkut. Estava na boca da caçapa.

Terminado meu namoro, chamei a mineira para sair. Cinema, a pedida certa. Um filme de aventura, o que facilitaria as coisas, já que não tem problema perder uma parte da história. E foi tudo bem. Ficamos, mas nada de sacanagem, algo quase romântico. Mas, no fim do filme, ela começou a chorar quando o mocinho e a mocinha finalmente puderam ficar juntos.


Aquilo não foi legal: se ela chorou numa cena idiota dessas, imagine o que podia acontecer se ela começasse a gostar de mim e depois eu fosse embora? Andei com ela até o metrô e a deixei na roleta. Nos despedimos. Essa foi a última vez que a vi durante um longo tempo. Mas alguns anos depois...