9 de fevereiro de 2007

CHASING AMY

Enfim a banda havia acabado e eu precisava entrar numa faculdade. Como já havia abandonado a primeira um ano antes (pública, depois de dois dias de aula. Acabei jubilado por abandono), achei melhor fazer um cursinho. Na época, eu andava muito com o pessoal da vizinhança e, dentre minhas amigas, havia uma que era gay e acabamos ficando muito próximos (nossos gostos eram parecidos).

Três de nós entraram no cursinho e nenhum com uma figura muito amistosa. Eu andava com o cabelo já pelo meio das costas e não gostava muito de fazer a barba (minha foto com data para a Uerj tinha cara de presidiário); uma amiga minha, baixinha e gorda, muito gorda, mas bonita; e minha amiga do parágrafo acima, que se vestia como um menininho e morava com um amigo que tinha uma paixão reprimida por ela.

Era época de muita cerveja e diversão, além de algum estudo que me serviu para passar no vestibular. Costumávamos ser os outsiders do curso, ignorando os CDFs e as patricinhas que puxavam o saco dos professores e atormentavam a classe com aqueles ridículos tamagoshis que ficavam bipando por carinho e comida no meio da aula. Elas, por sua vez, tinham medo da gente.

Outros outsiders comungaram conosco e, dentre eles, a garota mais bonita da sala. Minha amiga imediatamente se apaixonou por ela, que era hetero. Eu também a havia achado interessante, mas diante da concorrência, retirei-me de imediato da disputa.

Foram poucas semanas até ela ser conquistada. Começaram trocando presentes, saindo juntas, até que se beijaram. Foi com elas que fui ao cinema assistir ao filme Chasing Amy (Procura-se Amy), do Kevin Smith, que era mais ou menos a história delas, só que ao contrário (quem viu vai entender). O filme figura entre os meus favoritos (parece que o Ben Affleck só trabalha bem nos filmes do KS).

Elas viveram um amor tórrido por três anos, com direito a sexo animal (fugiam do barzinho para foder), crises de ciúme e um fim digno de Hollywood (casa destruída, ameaças e outras coisas deprimentes). A ex-hetero se mandou para a Bélgica (se não me engano) e virou ativista pelos direitos dos homossexuais. A minha amiga se casou com uma americana, mas ainda vive por aqui.

E eu tenho saudade dessa época, quando era possível ser mais autêntico e não me importar nada com o que os outros pensavam.

25 comentários:

Anônimo disse...

Teve cabelo comprido...
Barba? Barba fazendo cócegas na pele é bommmmmm demais!
Eu sinto cócegas quase em toda a minha pele...haha!
Uau, que relação quente a delas!
Eu me importo mais com o que as pessoas que eu gosto pensam de mim...

Jana disse...

ai eu tb, tenho saudades, andava de cabelos rosas e era feliz

Querido, a questao vomito é força de expressão pra dizer "palavras que não conseguimos segurar"

Beijos

Defensor disse...

Saudações
He He! Também já tive o cabelo comprido, e torturava o baixo numa banda de metal...

E temos mais em comum: no cursinho eu também mais bebia do que estudava... Bons tempos antes da facu...

Boa!

Queria te falar que o seu comentário no meu post de hoje foi bem oportuno. Você tem toda razão, grande amigo!

Abraços
Paz e prosperidade!
Bom fds!

Angélica disse...
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Angélica disse...

Já fui uma maria-xampu das mais ardorosas. Hoje ainda acho bonito, mas como quase não se vê mais cabeludos por aí desde o fim do movimento grunge...
Meu tempo de cursinho foi sem-graça. Eu morava em BH com uma tia, o marido e dois filhos pequenos, que eram os próprios Flanders. Não tinha amigos e não me sentia à vontade pra nada, minha vida era estudar e ouvir rádio.
Apesar de isso ter resumido minha Copa de 2002 aos comentários no intervalo das aulas, até agradeço. Foi assim que acabei passando no vestibular e, aí sim, entrando na fase de não me preocupar com o que os outros vão pensar.

Suzi disse...

Já adorei homens de cabelos compridos. Típicos latinos, coisa do tipo. Morenos, cabelos longos, eram meu "sonho de consumo"! rs*

Tudo a seu tempo, né?
É o lance: "há um tempo certo para cada coisa!"

Luísa T disse...

Interessante sua história! Uma lésbica que conquista uma suposta hétero... Sempre me perguntei onde fica o ponto que uma pessoa adulta se descobre homo... Não teria nenhum problema em me descobrir lésbica... rs... Mas, sinto atração por homens e até hoje só por eles... rs...

De qualquer maneira acho o amor homossexual bem interessante...

Quanto a homens de cabelos compridos, já namorei alguns e por acaso, meu marido tem cabelo grande...

Escorpiana Explosiva disse...

E realmente acho um tesão homem com cabelos comprito,a unica coisa que não gosto e que deixa a barba crescer.


Um abraço.

Dono do Bar disse...

Tenho saudade do tempo que virá.

Nathália E. disse...

"E eu tenho saudade dessa época, quando era possível ser mais autêntico e não me importar nada com o que os outros pensavam."

Essa é a parte mais difícil de se começar a viver para o mundo...

G. Pinheiro disse...

Voltei a ativa..

Bom texto :)

Anônimo disse...

Eu sempre fico com um pé atrás quando se trata de saudades de uma época específica. Fico me perguntando se a saudade é fruto de uma idealização de uma coisa que se perdeu ou se é realmente verdadeira. No caso da segunda opção, fico pensando no desperdício que é a gente nunca saber na hora o quanto aquele momento é importante. E a gente nunca sabe. Vai ver a importância é toda daí..

Gostei do blog, fui lendo, lendo, seguindo os links... Depois de quase meia hora voltei ao primeiro post para comentar. ;)

Anônimo disse...

(só porque esqueci de colocar link, para servir de identificação)

Anônimo disse...

q relaçao legal xDD
casa destruida é? nosssaaa super massa isso ^^ com direito a explosões tbm? acho q nao né... seria legal demais para ser verdade rs.

Anônimo disse...

Ser feliz já é difícil mas precisar dar satisfações aos outros piora bastante.

Biani Luna disse...

Nossaaa, ainda não vi esse filme não!
E pra falar bem a verdade, não gosto de Ben Affleck =P
Voltarei outras vezes ;)
(essas histórias...conheço váárias semelhantes, só que com homens) O.o
;*

Lua de papel disse...

como seria bom se eu também deixasse de dar tanta importancia ao que os outros pensam
seria mais feliz
bjs

Jade disse...

Eu vi Chasing Amy, acho interessante essa "troca" de interesses, conheço uma mulher que depois de 25 anos de casada, iniciou uma relação com uma mulher e estão juntas há quase 10 anos!!
Tô com a Fernanda, até trocaria sem problemas, mas infelizmente (ou felizmente??) só os homens me atraem...
Não tenho problemas de autenticidade, por isso não compreendo essa nostalgia...
Beijos!!

Beto disse...

Pois é...acho que hoje me importo menos com o que pensam de mim do que antigamente...e cada ano que passa vou ficando mais assim.

Vendetta disse...

Mas se joga, gato!
Faça tudo o que quiser... e arque com as consequências, claro!

vc deveria ter investido na gata bonitona... quem sabe com vc não teria dado mais certo...

beijinhos saudosos

Mariano disse...

Caralho!
Realmente, o Ben afleck só trabalha bem nos filmes do KS!

Tah ligado q foi ele, o KS, q inticou o Ben para o papel de Demolidor?

Tem um video no YouTube contando esta história...

Anônimo disse...

Não acredito muito em autenticidade, Sujeito, rs*....

Independentemente da época acho que tudo se copia e se recicla no final das contas; mas entendo o que você quis dizer ;o)

beijos e boa semana, dear

MM

www.finaflormonicamontone.blogspot.com

Anônimo disse...

Chasing Amy é um clássico...Apesar de que eu acho tudo que o KS fez clássico, então eu sou suspeito...Todo mundo tem sua fase outsider...No cursinho eu acho que tava muito bêbado pra pensar em ser rebelde, por isso não tenho grandes histórias sobre meus 15 dias de cursinho...Mas essa foi mais uma boa história...

Flávia disse...

Não se preocupar com o que os outros pensam é uma qualidade que não deveríamos perder com o tempo né?

Strange Little Girl disse...

Nossa, e eu que era uma nerd bitolada no cursinho e ficava lá no banquinho da frente copiando matéria! Só descobri a adolescência depois que atingi a maioridade. Quando deveria ser adulta resolvi trocar a aula pelo boteco... antes tarde do que nunca!

Adoro outsiders! Ninguém deveria deixar de ser assim só porque "cresceu"!

Você tem cada história, hein? Mas essa aí me lembra do meu recente drama. A história foi a seguinte. Eu tinha uma ex-colega de escola e, do nada, nós nos tornamos super amigas! Aquela coisa de contar segredo e conversar até a madrugada dando risada, sabe? Daí eu criei todas as expectativas do mundo. Ela me chamou para passar uns dias na casa dela e eu sugeri que nós chamássemos uma amiga em comum. A gente não se dava super bem com a outra menina, mas ela acabou indo. A primeira amiga é bi, a segunda é lésbica mesmo, mas ainda tava no armário. Eis que um dia a gente acabou brincando de "verdade ou desafio" e depois de muito álcool eu acabei ficando com as duas e uma ficando com a outra tbm (não sei se sou bi ou hetero curiosa). Foi tudo legal, mas eu fiquei meio mal porque passei a gostar um pouco demais da primeira garota e tenho namorado! Conversei com o namorado, deu tudo certo. Só que de uma hora pra outra eu e a minha amiga começamos a discutir e as coisas começaram a ficar estranhas. Ontem eu descobri que as duas meninas estão ficando e a coisa tá ficando séria. Me senti um saco de merda! Eu também estava na "brincadeirinha" e fui trocada! Tá, eu não teria nada sério com a menina, mas mesmo assim! Agora elas saem sem me chamar, estão todas "fofinhas" e do nada a terceira se tornou a menina mais carinhosa do mundo! Grrrr... Minha auto-estima foi pro saco.

Ah, é isso!

Beijinhos