1 de abril de 2014

SURPRESA (parte 1)

– Por que você não está lá com o resto da banda? (Era uma dupla)
– Porque não faço parte da "banda", só estou ajudando com uma percussão.
– Ah, é que eu estranhei você do outro lado da pista tocando.

Ela era loira e linda. Uma típica gaúcha, com forte sotaque, mas queimada de sol, adaptada ao Rio de Janeiro. Foi eu perguntar seu nome que ficou na defensiva.

– Olha, eu não estou...

Interrompi. "Nem eu, só perguntei seu nome". De fato, eu não estava. Apenas me apresentei e quis deixar que a conversa fluísse, mesmo sabendo que, de alguma forma, no nosso código social perguntar o nome pode ser, por si só, uma forma de chegar.

Ainda assim o papo fluiu. Ela estava com as amigas, perguntei o que iam fazer depois e sugeri que fôssemos ao meu lugar de sempre, onde toca um belo rock and roll. Ela topou, mas imediatamente se virou para as amigas e se esqueceu de mim. A noite seguiu e não voltamos a nos falar até o fim do show, quando, sem perceber nenhuma demonstração de interesse dela ao me ver sair, apenas comentei: "Estou indo pra casa, foi um prazer". Ela reagiu: "Espera, vamos lá naquele lugar com você".

Eu já tinha sacado a dela, uma provocadora, então realmente não esperava nada da noite. Chegando lá, passei a primeira hora dançando com ela, ao mesmo tempo absurdamente próximo fisicamente e mas sem lhe dar nenhuma atenção: eu não deixava nossos olhos se encontrarem, sabia que ela queria uma desculpa para virar o rosto e mostrar seu poder.

Ficamos na pista de dança, assim que chegamos perto de uma parede. Ah, a parede! Quando ela abriu os olhos, estávamos próximos demais para não nos beijarmos. Um beijo que parecia especial, mas que mudaria a natureza do encontro.

No bar, conversamos sobre a nossa vida, ela disse que queria ser amiga do ex, mas não conseguia, ele não deixava. Quem é que deixa, afinal? Tomamos uma cerveja, eu tinha um compromisso no dia seguinte que não me permitia beber muito. Liguei do telefone dela para o meu, prevendo um follow up, já que não tinha maiores intenções naquela noite.

Voltamos para a pista e lá o clima começou a mudar. Quando eu era mais incisivo, ela rolava os olhos para trás com uma expressão de impaciência. Quando eu a ignorava, ela virava de costas e se esfregava em mim de uma forma que não deveria deixar dúvidas quanto às suas intenções.

Estava ficando tarde para mim. Disse-lhe que precisava ir e ela foi categórica: "Vai se quiser, eu vou ficar aqui". Eu fui.

No meu terceiro passo, ela me puxou: "Só mais uma música!". E assim foi, mais uma música e nos encaminhamos para o táxi. Lá, perguntei seu endereço e avisei ao taxista que a deixaríamos em casa e eu seguiria para a minha.

Mas não foi bem assim que aconteceu.

3 comentários:

Gustavo Martins disse...

Justamente.

E se a rapaziada soubesse disso, a concorrência ia ser bem pior.

Ainda bem que não sabem.

Flávia disse...

Oi Sujeito Oculto! Quanto tempo!
Retomei o meu blog esses dias e estou voltando a ler os blogs que visitava antes. Bom saber que você também voltou com os seus posts.
Cara, você não tem ideia de como eu me identifiquei com a primeira parte do seu post sobre a dúvida de ter ou não ter HIV. TODAS as minha amigas acham bobagem usar camisinha (!!!) e eu sou a ÚNICA que levo o preservativo a sério, sempre, com quem for. Somos de ma geração mais nova, zero preocupada com qualquer DST, e isso me irrita muito. Fiquei tentada a fazer os testes também, vou discutir isso na próxima vez em que for ao médico.
Para não me alongar, estou esperando ansiosa o capítulo 2!
Bjs, Flávia

Helena Rodrigues disse...

Olha, não posso negar que estava morrendo de saudades das tuas histórias, viu!

Beijo!