Aos quatro anos, sentava-me ao piano e tirava as músicas que meu irmão aprendia em sua aula. Evidentemente ele me batia por tocar "suas" músicas sem o menor esforço. Descobriu-se que eu tinha ouvido absoluto e entrei na aula para aprender o dedilhado; mas lembro-me de tocar xilofone com três anos de idade, daqueles que só tem uma oitava e só as notas que pertencem à escala de dó maior.
Nunca tive de estudar em casa. Na pré-alfabetização, a professora achou que eu tinha problemas, pois não me interessava em ser alfabetizado. Ela disse a meus pais que eu tinha problemas de coordenação motora nas mãos e que teria dificuldade em aprender a ler. A essa altura, eu lia com fluência e tocava piano com facilidade. Meus pais, obviamente, duvidaram de sua competência.
O tempo passou e acostumei-me a ser o melhor aluno da sala sem pegar num livro em casa. Quando virei segundo ou terceiro aluno, aqueles melhores do que eu estudavam todo o dia enquanto eu ia jogar bola ou videogame.
Fiz vestibular duas vezes, passei nas duas, passei em primeiro no Mestrado e entrei no Doutorado de primeira. Nunca tive problemas para arrumar emprego, aprendo qualquer coisa que me interessar e em todos os trabalhos, sou tido como um curinga, pau-para-toda-obra, aquele que resolve problemas.
E o que há de errado nisso? Bem, para começar, a eterna frustração de sempre achar que podia ser melhor. Tenho a sensação de que meu potencial nunca é explorado e que a culpa disso é minha. Em segundo lugar, por mais que ninguém me pressione, tenho sempre a sensação de que me superestimam e, novamente, de que não estou a altura do que se espera de mim.
Resultado? Virei um chutador de balde com senso de responsabilidade. Desisti de ser o que acho que as pessoas esperam de mim e resolvi me divertir. Onde isso vai me levar? Não sei. Esse ano faço 30 e, quer saber? Não poderia estar melhor!
18 comentários:
também falo um pouco de olhar do outro no meu post de hoje e também partilho de experiências similares e sensações parecidas.
beijos, boa semana e bons chutes
MM.
Diria universal tal cronica e de atributos simples, bem proximos da experiencia humana.
Seria um prazer divulga-lo no O Fogo Anda Comigo.
nao deixe de enviar sua pessoa em versos!
Abraços!
ps: sinta-se a vontade para divulgar a arte pelas bandas de lá.
é... ando com a sensação de que querer saber demais com tanta atividade e compromisso só vai fazer com que eu desaprenda a única coisa que se deve ter.
e ainda vou completar 26.
beijo.
Pois é! E também tenho essa sensação de estar sempre sendo cobrada... é um saco ! mas eu jogo tudo pro alto mesmo, neem ligo... sou irresponsavel, com muito orgulho :DD
eu só queria ganhar um pouco mais do que eu ganho, daí tudo estaria bem melhor... =P
Engrassado que eu sempre tive dois lados, em algumas coisas sou muito inteligente, nao estudo ... vou bem tiro de letra, em outras sou um idiota completo, não vejo um palmo ante ao nariz!!!!!!
Puts chego aos 30 daqui a dois anos, puts cara isso é apavorante!!
Abs!!!!
Consigo aprender a matéria de uma prova dando uma simples lida nos slides no dia anterior.
Sempre fui de boas notas na escola, mas meu maior problema é a malandragem...
:*
É, no começo do post tava uma coisa meio monótona. Começou a ficar bom quando vc disse que chutou o balde. Que bom.
Tenho facilidade de aprender somente sobre o que me interessa.
Caso não haja o mínimo interesse, não aprendo nem com reza braba.
Sempre fui a 1ª da classe, mas tinha que estudar um pouco. Se eu não fizesse isso, saía do excelente e ia pro bom.
Não me sinto cobrada pelos outros, só por mim mesma.
Beijo!
Pra quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. É isso ou eu entendi errado?
Ué, se te sobra talento é fato que sempre haverá menos dificuldade do que capacidade... Já policiamento e responsabilidade é opcional... Dizem que os gênios tendem a ser meio esquisitos...
Salve,
...faz tempo que não passo por aqui...
Também chuto o balde, principlamente às sextas, depois do trampo... he he!
Abrax
Einstein dizia:
"Uma obra de gênio é 5% de inspiração e 95% de transpiração"
Se te sobre inspiração, aproveite...
Eu tenho alguma coisa parecida (ainda que em escala beeeeeem menor). Aprendi a ler rápido, quando moleque era sempre o primeiro da turma. Aí lá pelos dez/onze, peguei algum tipo de trauma (vai entender...) e fiquei gago. Assim, do nada. Então eu fiquei absurdamente inseguro e travado. Mas ainda assim participei de um programa de desenvolvimento de jovens superdotados (falando assim eu me sinto um x-men) no segundo grau, mas admito que sempre me senti totalmente peixe fora da água (eu sou tão superdotado quanto um hamster pode ser articulado).
E bah, ainda tenho que aguentar todo mundo falando que me falta confiança e não talento...Falta talento mesmo, confiança é só rebote...
Eu sempre achei que eu era acima da média por não precisar estudar para tirar boas notas. Nunca fiquei de recuperação, apesar de sempre estar na sala da diretora por mal comportamento (nem era mal comportamento... eu só era agitada).
Enfim... Mas nada disso foi mérito meu não. Não inteiramente, eu digo. Eu era mestre na arte de colar.
cacete! parece que foi a gente que escreveu! não estamos falando de plágio não -- são algumas coincidências.
Nossa, eu tbm aprendi a ler com 3 anos. Nunca soube de outra pessoa...
Minha mãe me ensinou em casa, a ler e escrever, quando cheguei no jardim 1 já sabia ler e escrever e bem. Não gaguejava, a tia sempre me usava pra ler as histórias e escrever o a e i o u no quadro negro, no jardim 2 era a mesma coisa, a assistente!! do jardim 2 fui direto pra primeira série....incrível como cresci tão inteligente, até que descobri os homens e parei de estudar!!
Quando se é bom em quase tudo o que se faz, as expectativas são muito altas e qualquer escorregada, pode ser uma decepção feia - para vc e para os que estão ao seu redor. Mas essa é a opinião de alguém que tem que bater muito a cabeça para aprender, então não imagino como deve ser estar na sua pele... o que sei, é que nenhum tipo de talento deveria ser desperdiçado.
Seu link (sua lápide, como preferir!) já está no meu blog. ;)
Bjão.
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