18 de dezembro de 2008

UM PRATO QUE SE COME FRIO

Lembro-me de uma anedota a respeito do presídio de Ilha Grande, apesar de ter-me esquecido das personagens. Consta que um preso, comunista, estranhou o fato de os carrascos os tratarem tão bem e perguntou para um deles o motivo. A resposta? "Nós já vimos tanta coisa aqui... a gente nunca sabe onde os presos de hoje vão estar amanhã".

Bem, estava eu entrando numa nova escola para cursar a sétima série quando deparei-me com aquela criatura: um dos maiores FDPs do meu prédio estava justamente na minha turma. Eu sabia que aquilo não ia prestar e, como ele parecia umas dez vezes mais forte que eu, vi que seriam anos muito difíceis dali para frente.

Não estava errado. Todos os dias ele dava um jeito de me sacanear. Até tentei iniciar uma amizade para ver se a coisa se atenuava, mas ele ficava tentando arrancar meu dinheiro vendendo coisas inúteis a preços absurdos, como gravações em fita cassete. Logo vi que apanhar doeria menos.

Houve uma vez particular em que eu fugi para o elevador na volta da escola, mas uma amiga dele segurou até que ele chegasse para me bater. Dessa vez, subi em casa, peguei uma faca e fui caçá-lo no prédio. Felizmente, não o encontrei, pois as chances dessa faca terminar dentro de mim seriam grandes (essa amiga dele hoje é uma obesa infeliz e continua morando no mesmo lugar).

Na oitava série, ele acabou expulso por vender cigarros de báli para suas "amigas", umas garotas que ele levava para o canto na hora do recreio. Na verdade era somente um pretexto, já que ninguém o queria estudando lá. Deve ter-se matriculado num desses PPPs para terminar o segundo grau.

Quase dez anos depois, liga para a minha casa de madrugada. Precisava de dinheiro porque fora pego fumando maconha na praia, segundo disse. Para mim, ele queria comprar mais maconha ou pó, ou precisava mesmo era pagar dívida com traficantes. Disse-lhe que não podia ajudar.

Durante alguns dias, ele continuou ligando, dizendo que não podia pedir dinheiro a sua mãe, que a polícia havia retido seus documentos, entre outras histórias.

Da última vez, disse-me a seguinte frase: "Pensei que, em nome da nossa velha amizade, você poderia me ajudar". Respondi: "De que amizade você está falando? Nunca fomos amigos, cara. Talvez se você não tivesse sido tão escroto quando era moleque, pudesse contar com a minha ajuda agora. Liga para os seus amigos daquela época, vê se eles podem de ajudar. E, por favor, não ligue mais para minha casa, se não a polícia vai ter mais um motivo para conversar com você". Desliguei o telefone e nunca mais ouvi falar dele.

9 comentários:

Mariano disse...

Aqui se faz, aqui se paga!

Unknown disse...

é... bom...
acho q eu teria sido mais sádica...
geralmente não gosto de me me vingar, mas quando acontece...

Sweet Toxicant disse...

É como eu costumo dizer: "Quem bate, esquece. Quem apanha, não."

Bem-feito pra ele!

Nathália E. disse...

Por isso que eu não entendo quando dizem que vingança não é de Deus.
Tem coisa mais divina do que dar o troco e fazer com que uma pessoa aprenda?

Ciça. disse...

Ah, confesso que faria o mesmo.

:*

*Raíssa disse...

Eu faria o mesmo. Ou até esculacharia mais.

Tyler Durden disse...

Ah cara, provavelmente se eu tivesse no seu lugar teria feito o mesmo.

Mas olhando a situação pelo lado de fora, não sei se era a atitude mais correta. Embora você não tivesse a menor obrigação de ajudar o cara.

. fina flor . disse...

querido,

hoje passo somente para desejar que seu natal seja doce como o perfume das rabanadas e que seu "dois mil e love" seja repleto de gratas surpresas!!

beijos,

MM.

Unknown disse...

Payback is a bitch, como dizem...Esse realmente merecia...