28 de junho de 2006

SOBRE CARROS, ARMAS E OUTROS OBJETOS FÁLICOS

O que há neles que nos faz sentir tão importantes? Diz-se, na psicanálise, que objetos como esses representam um poder que, normalmente, não temos, mas que desejamos ter. Extensões do pênis, o primeiro objeto de poder.

Outro dia, vi um amigo meu, daqueles que não comem carne porque têm pena das vacas e que são metidos a politicamente corretos (na medida do suportável), falar de como ele queria atirar com uma arma carregada. E o outro, o dono da arma, que já teve carrão e sabe dar porrada como ninguém, disse que um dia o levaria para um lugar onde pudesse atirar.



Não consigo ver o que há de tão sedutor em algo que é feito somente para destruir, como uma arma. Nem a emoção que é dirigir um BMW no asfalto esburacado do Rio de Janeiro correndo o risco de se ter uma daquelas apontada para si e perder tudo de uma vez.

Preciso confessar que fiquei desapontado. Não que eu seja exemplo de alguma coisa, mas pela incoerência. Não gosto de armas; e carros, para mim, têm que ser seguros e confortáveis. E, se eu me preocupasse com a vida das vacas – coisa que não acontece –, no mínimo me preocuparia com a das pessoas.

Nenhum comentário: