Desceu para comprar uma vodka. Preferiu a sueca Absolut à brasileira Smirnoff. Achou que, depois de tudo, não merecia uma ressaca no dia seguinte. Subiu para a sala de jogos e bebeu devagar, deixando o gelo derreter. Àquela altura, não era fácil beber um copo com metade de álcool etílico.
Chegou uma garota na máquina de pac-man. Baixinha, um pouco feia, com uns seios descomunais. Tudo bem, seria um prêmio de consolação para aquela madrugada dispensável. Ele começou a explicar os macetes do jogo, mas logo ela perdeu o interesse e cedeu o lugar para uma amiga – e que amiga! Uma morena, magrinha, linda, vestia uma saia jeans e blusa amarela. Parecia bem mais interessada no pac-man. Na verdade, não exatamente no pac man. Ela se deixou ensinar por um tempo e deu uma pausa.
– Qual é o seu nome?
– (...) E o seu?
– (...)
Um beijo na bochecha e outro na boca. Começaram a se agarrar naquela parede, em frente à máquina. "Ô pequimen!", gritou um cara. Decidiram procurar outro lugar para ficar. Chegaram à sala de estar (sim, a boate tinha uma sala de jogos e uma sala de estar) e encontraram o sofá vazio. Sentaram-se e continuaram a se beijar.
Logo, os beijos não eram mais suficientes. Ele abriu o sutiã sem que ela sequer percebesse e levantou sua blusa. Começou a beijar seus seios sem se importar com quem estava na sala. Sua mão foi deslizando por baixo da saia e ela apenas segurava seu braço. Quando uma mulher segura o braço de um homem que corre por baixo de sua saia, ela está indicando que ele pode avançar um pouco mais. Caso contrário, ela o empurraria para fora.
Àquela altura, seus dedos já a penetravam como queria e a mão dela já o masturbava com vontade. A única coisa que ela disse foi "Como isso é gostoso!" e, de resto, apenas gemidos. Quando ela teve um orgasmo, ele decidiu parar. Suas mãos doíam e ele cumprira sua parte.
Deitaram-se no sofá como se tivessem acabado de fazer sexo. Só então ela se tocou de que seu sutiã estava aberto. "Você é bom, hein, nem percebi", disse. Ele se limitou a sorrir. Foi quando um desconhecido surgiu com uma chave dizendo ser de seu apartamento.
– Podem ir lá para a minha casa, já estão começando a incomodar. O segurança quase tirou vocês da boate.
Só então eles se deram conta do que havia acontecido. Nem assim se importaram. Desceram, saíram, ela pegou um táxi e ele, seu telefone. Ainda se falaram algumas vezes, saíram uma outra, mas nada mais aconteceu. Ficou tudo na fantasia.

3 comentários:
Casa da MAtriz na fantasia, é?
=P
A pessoa que roubou seu post.
Relendo seus arquivos, de forma bem displicente, cheguei até este. Vc sabe o significado desse texto pra mim, né?
Bom perceber que ele ainda provoca a mesma sensação que tive na primeira vez que li. Por isso roubei. Poucas coisas eu roubo na vida. Geralmente, peço emprestado, mas essa história é sua e não minha...Não há como emprestar. A sorte é que é possível recriar. Mas eu não iria na Casa da Matriz (se é que foi lá...realmente parece).
Beijos Sujeitinho
tô achando que te conheço...
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