@paraotumulo

29 de agosto de 2010

VERGONHA (parte 1)

A situação era complicada, mas reconheço que a responsabilidade era totalmente minha. Eu decidi organizar a festa, eu avisei a turma e recolhi o pagamento, e tinha planos que certamente conflitariam com os de outras pessoas.

As duas estavam ali. Ela levou a tiracolo o marido e os filhos, portanto, estava fora de questão, ainda que outrora isso não tivesse sido empecilho. Procurei não cruzar muito meu olhar com o seu, até porque meus sentimentos por ela ainda são tão confusos como a situação em si. Já ela estava ali, disponível e a fim. Não parava de sorrir para mim, esperando algo em retorno. Fui educado, até carinhoso e atencioso. Mas, se não conseguiu me compreender da primeira vez, não havia de fazê-lo agora.

Mas não era com elas que eu estava preocupado, ou acerca de quem eu havia criado expectativa. Havia uma outra, que chegou a me assustar quando conheci pela forma como me encarava, mas, depois de um ano, eu já solteiro, deixei o meu interesse despertar. Eu sabia que ela só se despencara para o Rio por minha causa, embora isso tivesse de ficar velado, de alguma forma.

Ela até tinha onde ficar, mas estava fugindo de seu anfitrião. Não que ele fosse tentar alguma coisa, mas mais pelo excesso de atenção que lhe dispensava. Ela pediu, ao meu ouvido, que eu a ajudasse e não a deixasse nessa situação.

O problema, caros leitores, é que minha fama de galinha se espalhou mais rapidamente pelos meus amigos do que entre vocês, que conhecem mais do que qualquer um. E lá estava eu, quando ela me chamou para conversar. Ela sabia que eu já havia transado com sua roommate, e agora descobria sobre ela apenas pelo clima da situação.

– Não quero te atrapalhar, até porque não sei se eu quero alguma coisa... e você não vai querer trocar o certo pelo duvidoso.

Acho que uma das frases que eu mais ouvi antes do sexo foi "não vou transar com você", ou "não vai acontecer nada". Isso não me preocupou, até porque, ainda que nada acontecesse, eu estaria tranquilo. Mas ela insistiu:

– Poxa, a minha amiga... e uma conhecida... o que você quer?
– Nada com elas.

Respondi-lhe que o certo não era de meu interesse, e que se ela não fosse para a minha casa, eu iria sozinho e tudo bem. Era verdade, como disse, não queria voltar àquela situação. Deixei-a à vontade para decidir o que queria da noite, mas, enquanto caminhávamos para a minha casa, percebi que aquela situação ainda me daria muito trabalho.

5 comentários:

Menina Misteriosa disse...

... e ainda bem que vem continuação por ai... fiquei curiosa!

beijo

MeninaMisteriosa

Flávia disse...

Eita...ow, sempre gostei do seu jeito de escrever e você tem melhorado muito(algum motivo particular?), seus textos estão ficando cada vez mais interessantes...
Gostei do suspense, não demora com a continuação. =)

Nasci disse...

Salve Oculto, seu blog é muito louco. Passarei com calma para atualizar minha literatura...
Sucesso

Roberta Goronsio disse...

Olá autor, confesso que me impressionei muito com o conteúdo do seu audacioso blog. Me lembrou os antigos mangas inescrupulosos que eu lia com os meus 15 anos, bons tempos... Vou acompanhar. Espero que a recíproca seja feita. Siga-me e parabéns. Grande abraço

Anônimo disse...

Cadê o resto da história?