Era óbvio que nos afastaríamos depois que nossa pequena história tivesse fim. O que não era óbvio era que a trilogia teria um quarto episódio.
Certo dia, fui almoçar com a minha amiga do trabalho, aquela cuja irmã me deu um beijo no Réveillon e cuja amiga me levou para São Paulo. Ela me informou que sua irmã viria para passar umas semanas no Rio e que sua amiga estava extremamente preocupada com a situação. Para mim, aquilo foi indiferente, já que sua irmã não quisera nada comigo antes mesmo.
Ledo engano. Encontrei-a novamente no almoço de aniversário de minha amiga e conversamos durante todo o tempo. Eu não parei de falar besteira e ela ria de tudo que eu dizia. Ora, não há termômetro melhor sobre o interesse de uma garota por você do que quanto você consegue fazê-la rir.
A verdadeira comemoração do aniversário foi na minha boate preferida. Como eu sugerira o lugar, entrei como VIP, sem pagar entrada, e resolvi aproveitar a economia para tomar umas vodkas extras. O problema era que eu mal havia jantado e não levou muito tempo para o álcool atingir o meu cérebro.
Na pista, eu já estava alucinado e acabei partindo para o ataque. Sentindo a oportunidade, travei a garota na parede e dei-lhe um beijo. Foi algo bem selvagem, como acontece quando bebo mais do que devo. Até que, no começo, ela correspondeu, mas acabou me surpreendendo com a seguinte frase: "Isso é muito errado..."
Não adiantou. Fiquei com ela a noite toda na boate e, mesmo passando muito mal, consegui trazê-la para minha casa. Já me sentia melhor quando estávamos na cama e, apesar de tudo que rolou, não fizemos sexo.
No dia seguinte, já recuperado, chamei-a para caminhar no Calçadão de Copacabana. Conversamos bastante sobre música, trabalho, mas não entramos em assuntos mais profundos. Quando ela aceitou vir à minha casa para assistir a um vídeo, entendi que o problema estava resolvido em sua cabeça.
Realmente vimos o filme, pelo menos até a metade, e acabamos no quarto, na cama. O sexo foi tão bom quanto o de São Paulo com sua amiga, mas, como vinha acontecendo na época, eu nunca tinha interesse em dar sequência à história.
Mantivemos um convívio próximo nos dias seguintes, mas era claro que ela não sabia como se comportar comigo. Nos despedíamos com um selinho e eu não dava nenhuma indicação de que poderia rolar algo mais.
Até que um dia, recebi um bilhete seu na porta da minha casa. Tudo muito bonitinho, revelando o carinho que sentia por mim (esse sim era recíproco), mas de tudo, apenas uma frase me chamou a atenção: "Não consigo fingir que nada aconteceu".
Nunca lhe pedi isso. Depois fiquei sabendo, por sua irmã, que ela simplesmente não me compreendeu. Levou alguns dias para achar que eu era meio louco mesmo e aceitou o fato. Mas não entendeu direito o que estava acontecendo. Não perdemos contato totalmente, afinal, para que serve o messenger? Mas decidi que, em sua volta ao Rio, não vou tentar uma segunda vez. Acho que ela já ficou confusa o suficiente sem saber o que se passava pela minha cabeça e achando que estava traindo uma amiga, ou ex-amiga, a essa altura.
Parando para analisar, foi ela quem viu primeiro e sua amiga se interpôs no caminho, não? Talvez, mas, mesmo assim, acho que entre amigos homens isso jamais aconteceria. Mas é como se diz: amigas amigas, homens à parte.
5 comentários:
Sempre se envolvendo em processos complexos, cara.
(e quem viu primeiro tem mais direitos, em teoria. não sei como isso funciona pras garotas)
Esse blog é um festival de revivals da minha própria juventude. O legal é constatar que você era bem menos maluco do que eu. Me coço pra colocar mais histórias lá no meu... O ruim é achar tempo. Essas suas lembranças são como viajar no tempo.
HOJE eu sei que não se deve comentar sobre homens com as amigas.. principalmente se for um que eu esteja interessada. Propaganda pra quê? Além de ser indiscrição, pode acontecer isso ai: ressentimento entre amigas, possibilidade de algo legal não rolar por causa da confusão, fim de uma amizade.. E outra: EU não pegaria 'homem' de amiga minha, mas isso sou eu. Já tive amigas (?) que não pensavam assim..
Admito que mulher é um negócio complicado mesmo.
Ah, não concordo contigo, não! Sempre vejo isso acontecer com homens também. O que há, é uma 'sutil' diferença entre os sexos: a discrição.
ah, se vc não tinha compromisso com ninguém... mas o certo é q não dá pra confiar e na dúvida é melhor agir primeiro e perguntar depois.
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