Parecia perfeito, o namoro começou como num filme água-com-açúcar. Morávamos no mesmo prédio, ela comentou algo de que gostei no orkut, chamei-a para conversar no msn. Um clássico contemporâneo. Evoluímos bem, ela gostava de cuidar de mim e eu dela. Tínhamos tudo para dar certo.

Depois de um ano de namoro perfeito, fomos morar juntos. Alugamos um apartamento grande de dois quartos, dividíamos as despesas, mobiliamos tudo e, como era de se esperar, os problemas surgiram.
Ela me cobrava casamento. Mas não podia ser apenas um casamento. Tinha que ter anel de noivado e pedido de filme. Eu não sou exatamente um cara criativo e, para piorar, acho essa influência do cinema americano ridícula. Mas estava disposto. Só que era cedo.
Aos poucos, fui percebendo realmente os defeitos que ela já havia me mostrado, mas não consegui transpor para a relação. Em pouco tempo, eu era culpado de tudo que dava errado. Todos os dias, ouvia a clássica "Não estou reclamando, estou só falando". Eu sou um cara pragmático: me traga um problema que eu começo a pensar numa solução. Mas ela não queria soluções, queria ter razão. Eu estava vivendo o Inferno de Sartre.
Depois entendi que, quando morava com a mãe, ela tinha seu saco de pancadas particular. Quando fomos morar juntos, coube a mim esta honra. Depois de quase um ano de desgaste, nos separamos. Aquele estresse permanente havia minado o amor que eu sentia por ela (mas não o que ela sentia por mim). Ela dizia: "Eu faço dar certo", e eu retrucava: "Não quero que dê certo, preciso ficar sozinho".
Precisava de espaço. E consegui. Mas agora, não consigo ver futuro para mim em nenhum tipo de relação.
Tudo isso para dar um conselho. Vocês são felizes? Ótimo. Querem casar? Dividam a sua vida por um ano, façam um test drive. Quando um casal vai morar junto, o relacionamento muda. Mudam as pessoas também.
25 comentários:
Não se entra duas vezes no mesmo rio: o rio não será o mesmo, tampouco aquele que entra nele. Diz, mais ou menos isso, o antigo filósofo Heráclito.
Outro por aí, até um charlatão qualquer, pode dizer que este é um caso clássico de caminhar focando a chegada (casamento) e não aproveitar o caminho: ao invés de "vem que quando a gente chegar eu te explico", um "vamos que no caminho a gente decide". Sei que é vago, mas toda relação depende de tantas variáveis que só observações gerais valem para a maioria.
Demorei 7 anos para perceber oq vc percebeu em 1.
Parabéns.
Concordo meu velho. Não precisei de casar para passar por estas coisas. Vivi muito próximo por dois anos e os sintomas foram os mesmos, mas digamos que passamos por um quase casamento, sempre juntos, viajamos juntos. Viajar juntos ajuda a visualizar longe, como será a relação.
Eu, uma vez, me peguei, numa praia, eu, ela, duas irmãs dela e um cunhado. E eu pensando como seria bom ter a liberdade de sair só. Eu estava carregando bolsas de todas essas meninas, e quando reclamei que não queria carregar aquela tralha, ainda fiquei mal visto por ela e pelas irmãs. Me acharam "abusado".
De qualquer modo, recentemente viajei sozinho para a praia e senti falta de uma companhia feminina, não só pra trepar, mas pra ser companhia mesmo, passear na praia.
É foda, namoro, casório, solteirice. É sempre complicado.
perdeu porque ela não quis mudar e ainda quis casamento!!!!!!
louca. não entendo mesmo as mulheres... já não tava bom do jeito que tava?
enfim.
na verdade não tinha que ser.
bjs meus
Enquanto existe amor, respeito, sexo gostoso...dá pra tentar segurar a relação; penso que um ano é pouco pra desistir, pq tudo muda, até as discussões do início da vida a dois, pq esse é um período de adaptação.
Vale a pena persistir mais um pouquinho,lembrando ao paceiro(a) que cada um precisa ter seu espaço, mesmo estando juntos.
Tenha um feliz e abençoado natal junto aos seus!!!
Um abraço!
Ah! acho legal sua idéia de teste drive só que as coisas não seguem padrões, algumas duplas podem demorar um pouco mais a perceber esses defeitinhos que na verdades sempre estiveram presentes e sempre enxergamos, só que quando estamos apaixonados tudo é bonitinho.Bem tudo passa e te jogo um praga rsrsr: Que vc se apaixone e muito, quantas vezes for necessário pra uma vida cheia de emoções.
Uma linda semana.
Rapaz... mas viver junto já é casamento... é O compromisso! Ou as pessoas ainda acham que o compromisso é apenas quando se assina um contrato de mútuo acordo?
Amar não tem regras, não tem test-drive, ou dá certo ou não dá, ou tem companheirismo e respeito, ou não tem. Talvez por isso seja tão difícil dar certo, porque para dar certo nenhum dos dois pode ser egoísta.
Abraços
Realmente, meu caro.. vocês não deram certo. O que não vem a significar que não dará para ter novas experiências com outras pessoas. Faz parte da vida, você não precisa morrer por isto. Apenas, mais uma vez, viva.. permita-se..
Realmente, quando se passa para o 'vamover' as coisas mudam, por isso que é bom 'amar' de pés no chão.. encarar de fato e buscar os defeitos.. procurar saber se consegue 'conviver' com eles.. Gostei do seu blog, estou reativando o meu pois terei uns dias de folga.. o cotidiano é fogo.. apareça por lá, bye.
Nossa!
Trágico!!!
Quero q qdo casar, eu tenha um fim diferente do seu.
; ) vou t linkar tb
Ah menino, relacionamentos são tão complicados, eu nem to querendo ter sempre a razão mas as soluções dos meus problemas eu ia adorar!
Beijos
"Mas agora, não consigo ver futuro para mim em nenhum tipo de relação".
É, essa sou eu nesse exato momento.
Quanto à você, que bom que saiu dessa "barca furada" antes que a situação piorasse (ainda mais).
Sorte por aí. (:
Wood Allen diz que " O casamento é o túmulo do amor."
Valeu pela visita.
Abs
Ho ho ho
a dura realidade da vida...
Nessa eu tenho que concordar em 100/100. Seríssimo isso.
Todo mundo tem seu particular 500 dias com Ela. O número de dias varia, a situação em si, não muito.
Beijas.
Namoro há dois anos e tento sempre pensar e agir como se namorasse há dois meses! Acho que o segredo é esse!
Abraços!
=D
Olá!
Agradeço sua visita. Gostei do teu blog e estou seguindo.
Casamento? Paradoxo demais. É a união dos sonhos de duas pessoas que se amam, porém, cheios de protocolos e o mais grave, aquela intimidade que quando se está apaixonado quer respirar o ar do outro, mas quando chega a partilhar aquele mesmo ar todos os dias ... hahahaha, descobre que foi o desejo mais insano!!! Na minha opinião, o casamento deveria chamar último estágio do namoro, pois é ali que vc vai saber se realmente é pessoa dos sonhos, pois não existe, não existe, nenhum casal 99% e nem 90%, sendo muito otimista existem casamentos felizes, ondes os conjugues são 70% felizes, o resto é abrir mão, aprender, aprender e aprender a doar-se, não desejando retorno, mas por realmente amar aquela pessoa. Então, eu acredito sim, em uniões (ah casamento é muito pesado rs) estáveis e pq não felizes, mas o grande problema é que a sociedade colocou com the end da vida solteiro e não deveria, como falei, apenas poderia ser mais um estágio do "namoro". Um situação tão paradoxa, exige um fruto paradoxo, filho, melhor coisa da vida, mas uma desgraça inserido numa situação de separação. Ainda bem que vc não padeceu deste grande problema ... não tive tanta sorte.
Beijo, desculpe na prolongação da idéia.
Sim. Você tem razão.
Mas eu adoraria saber como é!
Olá, Sujeito Oculto!
Que bom receber sua visita!
Já faz algum tempo (anos) que conheço esse espaço, acho que cheguei a comentar, e confesso que visito bastante, e há muito não comento algo.
Quando eu vejo você dizer de relacionamentos, eu penso que sua maior dificuldade em mantê-los
talvez seja sua inteligência e exigência... não sei!!!
Você ainda pensa em casar? Viver ao lado de uma pessoa por longos anos?
Menino, eu que fui casada durante 17 anos da vida,considerando desde o incio da relação, quando eu tinha 19 anos, posso dizer de cadeira que casamento é "um exercício perene de paciência e capacidade de abrir mão". Depois que consegui me separar (benditos sejam os psicoterapeutas), jurei pra mim mesma que NUNCA MAIS. E ainda penso assim, até hoje. Mas confesso que minha relação atual, mesmo com todas as complicações inerentes a ex casamentos e filhos de ambas as partes, muitas vezes dá uma água na boca de ficar junto todo dia, juntar a galerinha em uma casa só, dividir a cama e o sexo perfeito muitas vezes mais do que conseguimos, ambos envoltos com as vidas turbulentas, tanto profissionalmente quanto pessoalmente.... Mesmo sabendo que o dia a dia transforma as relações de forma irreversível. Mas a vontade de tentar de novo é inerente à nossa incapacidade de vivermos sós. E tentar de novo não é pecado nenhum. Eu diria que é esperança e perseverança. Te desejo muita sorte nos próximos amores.
Você pelo menos percebeu rápido. E sim, ficam sequelas. Hoje, não consigo mais imaginar uma vida a dois, o que, em certos momentos, é lamentável. Esquisito se sentir só (eu me sinto), mas o pior é não ter coragem de mudar isso. Ou seja, ser só por opção. Bj grande. Carla Beatriz
Surpresa ter você em um blog de moda!
Verdade, verdadeira... comentário antigo aquele meu!
Mas continuo achando que o amor de criança é o melhor que existe!
Beijos!
Bacanérrimo teu texto...fiquei um tempo refletindo antes de escrever aqui. Acho que vou refletir ainda mais...e gosto disso.
Eu agora estou investindo em arrumar os defeitos antes de casar .-.
Bem moço, o senhor comentou em um blog meu "Confissões em um Divã", mas por motivos de orça maior não mexo mais nele, agora estou com blog novo. se quiser dá uma passada lá.
Abraços
até.
Esse texto faz você parecer uma pessoa ótima pra se conviver, mas, será que é mesmo?
Quando eu li "pragmático", eu pensei na criatura adorável (de longe, não sei como eu pensaria convivendo com ele) pela qual me encantei.
Eu acho que eu sou fácil de conviver, só reclamo mesmo quando acho que eu estou sendo explorada ou injustiçada.
Eu não tenho vontade de casar, mas eu tenho muita vontade de encontrar um homem que seja uma boa companhia pra morar junto. Alguém a quem eu possa inspirar, apoiar, e mimar.
Eu sei bem o que quer dizer alguém minar o amor da gente com reclamações. O pior é que eu não desisti fácil.
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