@paraotumulo

13 de dezembro de 2010

CRITÉRIO

Dessa vez, não foi por falta de iniciativa. Eu estava curtindo um feriadão, ainda nem tinha feito treze anos, mas mulheres ainda eram ETs para mim, algo tão distante que, por mais desejo que eu tivesse, não tinha a menor ideia do que fazer perto de uma. Eu ainda era café-com-leite.

Mas eu simplesmente não estava interessado. Conheci-a nadando na piscina do hotel; ela puxou papo. Devia ser um pouco mais velha (na época, eu não sabia fazer as perguntas certas), mas olhou muito para mim. Eu, magrelo, não achava que meu corpo poderia atraí-la. Talvez tenha me achado bonito.


Não me atraiu. Mesmo assim, o recreador armou de nos encontrarmos mais tarde para jogar cartas ou algo assim. Nos encontramos, mas não jogamos nada, passamos a tardinha conversando. Bem agradável, aliás. Ela morava numa cidade na divisa com São Paulo, estava lá com a família... não me lembro bem.

Quase duas décadas mais tarde, parei para pensar no episódio. Se fosse hoje, eu teria ficado com ela, tentado levá-la para a cama, pegado seu telefone para nunca ligar. Mas na época, por mais que eu não fosse tentar nada com ela mesmo que me atraísse, eu tinha muito mais critério. Critério, aquela coisa que começa rígida, mas vai ganhando flexibilidade com o tempo, tornando-se, vez por outra, um mínimo de auto-preservação que se confunde com nosso próprio instinto de sobrevivência.

5 comentários:

João disse...

É engraçado como quando éramos mais novos tínhamos mais exigências do que um terrorista de 24 Horas e hoje (ao menos pra tentar alguma coisa sem grandes expectativas) ficamos mais e mais shuffle.

Anônimo disse...

Eu sempre gosto, meio eu meio vc. abço e sorte, vc escreve e isso é tudo.

Pablo Treuffar

Flávia disse...

Muito bem humarado esse post.

Karla disse...

É que quando somos mais jovens acreditamos que pessoas 'perfeitinhas' existem.. Depois, com o tempo e as experiências da vida, percebemos que perfeição tem outra definição.

Beijos! =*a

Sunflower disse...

Se eu soubesse o que sei hoje sobre a vida, nunca teria feito aquele permanente em 1993.

Beijas