Há poucos anos, eu estava na boate de sempre, e encontrei essa patricinha, meio indiferente a tudo. Puxei papo para ver qual era, algo que eu jamais faria em outras épocas. Ela reclamou que não gostava de rock, que só estava lá porque as amigas a haviam levado. "Do que você gosta?", perguntei. "Wanessa Camargo!". "Você está muito longe da sua casa, né?".
Mas parecia que a diversidade havia se tornado interessante para ela. Em pouco tempo, eu estava beijando-a contra a parede. Eu estava. Ela, pelo visto, não sabia fazer isso direito. Não tinha pegada, mal havia língua e, quando eu ameacei descer um pouco a mão de sua cintura, ela reclamou.
– Assim não!
– Tá bem, o limite é você quem dá – respondi –, mas comigo você faz o que quiser.

O beijo continuava ruim e minhas mãos continuavam na sua cintura. Até que cansei. Pedi licença, disse que foi bom conhecê-la e voltei para o bar para pegar uma vodca. Percebi que, com ela, eu também estava muito longe de casa.
Mas foi bom: percebi que, nesse aspecto, eu não havia perdido nada na minha adolescência.
3 comentários:
Tenho mais de 18 anos e tenho rosto.
Visitar este blog é sempre motivo para reflexão sobre os que sem rosto se cruzam no nosso quotidiano...
Até mais
Paulo
Essas patricinhas são otárias!
quando eu era adolescente era odiada pelas patricinhas da escola simplesmente por ser o oposto de uma delas...
nunca me fizeram falta
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