13 de abril de 2012

PATRICINHA

Quando eu era adolescente, talvez não tivesse exatamente a noção do que era uma mulher interessante. Acabava que todos nós ficávamos a fim das mesmas patricinhas, metidas a besta, que só davam mole para a playboyzada, grupo do qual eu obviamente não fazia parte.

Há poucos anos, eu estava na boate de sempre, e encontrei essa patricinha, meio indiferente a tudo. Puxei papo para ver qual era, algo que eu jamais faria em outras épocas. Ela reclamou que não gostava de rock, que só estava lá porque as amigas a haviam levado. "Do que você gosta?", perguntei. "Wanessa Camargo!". "Você está muito longe da sua casa, né?".

Mas parecia que a diversidade havia se tornado interessante para ela. Em pouco tempo, eu estava beijando-a contra a parede. Eu estava. Ela, pelo visto, não sabia fazer isso direito. Não tinha pegada, mal havia língua e, quando eu ameacei descer um pouco a mão de sua cintura, ela reclamou.

– Assim não!
– Tá bem, o limite é você quem dá – respondi –, mas comigo você faz o que quiser.

Na hora ela desceu os braços e encheu as mãos. Parecia estar gostando da experiência. Achei graça. "Quer dizer que faz muita diferença quem pega o quê de quem?", perguntei. Ela riu.

O beijo continuava ruim e minhas mãos continuavam na sua cintura. Até que cansei. Pedi licença, disse que foi bom conhecê-la e voltei para o bar para pegar uma vodca. Percebi que, com ela, eu também estava muito longe de casa.

Mas foi bom: percebi que, nesse aspecto, eu não havia perdido nada na minha adolescência.

3 comentários:

Paulo disse...

Tenho mais de 18 anos e tenho rosto.
Visitar este blog é sempre motivo para reflexão sobre os que sem rosto se cruzam no nosso quotidiano...

Até mais

Paulo

Karla disse...

Essas patricinhas são otárias!

Bem Resolvida disse...

quando eu era adolescente era odiada pelas patricinhas da escola simplesmente por ser o oposto de uma delas...
nunca me fizeram falta