25 de fevereiro de 2007

PALCO (parte 1)

Toquei piano a minha vida inteira, mas não pensava em levar profissionalmente. Apesar de alguns elogios aqui e ali, não me achava lá muito bom, mas sabia que podia desenvolver um bocado com algumas novas experiências.

Quando eu tinha quinze anos, meu irmão comprou um teclado semi-profissional, daqueles que ainda tinham ritmos e acompanhamentos, mas seus timbres até que não eram tão ruins, pelo menos para minhas necessidades.

Aos dezesseis anos, um amigo meu da escola me convidou para participar de uma banda. Ele cantava, não muito bem, mas era um cara criativo e provavelmente comporia músicas muito boas. Deu-me o telefone do guitarrista e falou para eu pegar uma fita (cassete mesmo) com algumas músicas para o primeiro ensaio.

Qual a minha surpresa ao descobrir que eu tinha estudado na quinta e na sexta séries com o guitarrista em outra escola? Estava tudo em casa, parecia perfeito. Levei a fita para casa e comecei a estudar as músicas. Eram duas do Barão Vermelho (Daqui por diante e Meus bons amigos) e mais umas duas baianas que, graças a Deus, foram descartadas de cara. Até porque, só quem gostava dessa porcaria era o guitarrista.

Precisei de algum esforço para tirar as músicas do Barão, pois elas deveriam ser tocadas meio tom abaixo. Normalmente, bastaria transpor o teclado, mas para mim era mais complicado, pois eu tenho ouvido absoluto. Assim, eu tocava uma nota e o som não correspondia, mas acabei conseguindo até mais facilmente do que esperava.

Fomos para o primeiro ensaio na casa do baterista. Tudo pronto, ajustado, plugado... e começamos. Já nas primeiras notas me empolguei: era igualzinho à fita! Vocês precisam entender que eu jamais tinha tocado numa banda e que tudo aquilo era novidade.

Depois de mais dois ensaios num estúdio que funcionava no prédio do cassino da Urca, o baterista e o baixista abandonaram o grupo, sendo prontamente substituídos. Os novos eram, realmente, bem melhores e a qualidade da banda começou a subir.

Algumas semanas de ensaio, um repertório mais variado (mas todo dentro de pop rock nacional) e, finalmente, marcamos nosso primeiro show – na cobertura da namorada do baixista. Ensaiamos o repertório uma dezena de vezes e estávamos prontos.

No dia, levamos nossas tralhas para cima, bebemos um pouco para criar coragem e começamos. À medida que os aplausos iam crescendo, sabíamos que estávamos na direção certa. Nosso sonho estava se realizando.

12 comentários:

Luísa T disse...

Vai ver o sujeito oculto é bem conhecido, por isso é oculto... rs...

Em breve terei um post em duas partes... mas é porque ele ficou grande demais... rs...

Angélica disse...

Putz, que lindo ler isso!
Tive uma banda quando pirralha, também de pop rock. Tocava teclado e me revezava com um amigo no vocal.
Coisa de adolescente, a gente ensaiava muito mais que se apresentava, mas foi uma época muito feliz. De vez em quando me arrependo um bocadinho por ter saído quando estávamos nos acertando (motivos idiotas).
E, concordo contigo, palco é um lugar mágico!

Sujeito Oculto disse...

Não sou bem conhecido não. Mas sou identificável :P

Anônimo disse...

A única vez que subi num palco foi numa apresentação teatral que empolgou tanto o professor que nos apresentamos 5 vezes seguidas no mesmo dia. Pena que não pude beber antes pra relaxar. Antes de entrarmos no palco quase desmaiei de nervoso, mas me acalmei respirando fundo.
Um tempo depois comecei um curso de teatro.
Já comecei um curso de teoria musical e outro de canto também. Queria e ainda quero cantar afinado. Abandonei todos por não ter mais tempo.
Minha irmã toca violão, eu não sei tocar nada. Mas gosto de cantar desafinadin... :op

Ana Gotz disse...

muitas bandas famosas começam assim...

e qtos talentos são disperdiçados por não darem continuidade ao sonho?

Defensor disse...

Saudações
É cara, já senti isso também. É uma das emoções mais fortes em minha vida. Não há nada como subir ao palco e... TOCAR!!!
Nada se compara a tal sensação... bem talvez sexo...
Abraços

Beto disse...

O bom é fazer o que se gosta. E pelo visto você conseguiu. Nem que tenha sido aí nesses dias distantes.
abs

Suzi disse...

não pude ler, ainda, o texto, integralmente;
mas passei pra desejar boa noite.
adoro piano.
;o)

Jana disse...

Humm sera que é conhecido e por isso se esconde ...

Beijos

Jade disse...

Eu tocava violão em rodas de amigos e bares e me assustei quando percebi que, à medida que o tempo passava eu identificava melhor a harmonia as notas e tal, pq quando eu comecei eu era surda!! hehehehe!!
Acho legal ter um ouvido absoluto, mas a prática ajuda também!! Agora já esqueci tudo, quando pego o violão saem duas ou três músicas e olhe lá!!
Como diria Caetano: "Como é bom saber tocar um instrumento"
Beijos!!

. fina flor . disse...

And?

Fiquei com a sensação de história inacabada, rs*.....

beijos e boa semana, querido

MM

Simone disse...

Ó...
Estou precisando de uma banda para fazer um show aqui em casa. Rola??

bjs Sr. Músico