14 de janeiro de 2008

HUMILHAÇÃO

Crianças passam por diferentes tipos de humilhação, causadas por quem for e por qualquer motivo. Fora o autoritarismo da família, existe a sensação de poder que algumas professoras experimentam e gostam durante a época da escola.

Durante a minha infância foram muitas e, essencialmente, por dois motivos. Ou porque eu era muito magro, ou porque eu era judeu. A maior maldade era feita pelas crianças do meu prédio – mas isso não era privilégio meu, acontecia com vários de nós. Juntava-se um grupo de crianças mais velhas e colocava-se uma bem mais nova para bater em mim. Pelo menos não doía, mas, a cada vez que eu levantava a mão para reagir, alguém me segurava. Covardia? E daí, eles nunca ligaram para isso.

Outra questão era a escola. Fora as porradas habituais, em que eu normalmente apanhava, havia uma professora que não gostava de mim – e não perdia uma chance para me humilhar, fosse porque eu fiz algo errado, fosse sem motivo aparente. Nunca entendi se era anti-semitismo (naquela escola, até os alunos odiavam judeus) ou se era porque eu sempre fui ateu. Numa discussão que tivemos, ela disse que Deus tinha feito "as vaquinhas" e eu disse que não. "Quem fez então, o homem?" "Não sei". Eu tinha sete anos, o que iria responder?

O fato é que ela continua sendo uma professora primária de última categoria e eu fui bem mais longe na minha vida pelo simples fato de fazer o que eu sei e gosto. Ela, com certeza não sabia e provavelmente não gostava lá muito.

As humilhações nos perseguem ao longo de nossa vida, mas apenas com mais maturidade podemos aprender a lidar com elas. A adolescência, por exemplo, é um período difícil, mas sempre podemos entrar numa briga para nos livrarmos dela. O grande problema é quando elas passam para a esfera profissional. Felizmente, isso nunca aconteceu comigo, mas acho que, nessa situação, faria o que todo o mundo faz: engolir o sapo e procurar um emprego melhor.

17 comentários:

Anônimo disse...

Acho que é meio lugar comum essa coisa de humilhação na escola. Passei por isso todo o "primeiro grau" e parte do segundo. Infelizmente certas situações nos remetem a ações pré históricas, e só pude ter algum sossego quando sucumbi às soluções, digamos, um pouco mais drásticas. Você nunca quer machucar um colega, mas chega a hora que a pessoa surta. Fui ameaçado algumas vezes de expulsão por quebrar cadeiras nas costas dos outros. Depois perdi o rótulo de "frouxo bundão" para receber o de "Louco violento e perigoso". Nas duas situações fui "escanteado". Quer saber? Minoria por minoria, minha segunda opção foi melhor. Entrei na faculdade assim, e na primeira tentativa de humilhação, afinal eu era pobre, surrei dois bacaninhas, olhei com tanto ódio pra eles enquanto surrava-os, que um trocou de curso. E o pior, os gurizinhos de onze a treze anos que batiam em mim quando eu era pequeno, hoje pedem emprego. Quero mais que explodam.

cogitas3d disse...

Buenas Great!

Poxa, isso é verdade, enquanto lía recordava-me da tenra idade, quando algo parecido acontecia comigo. No meu caso era por que eu estudava numa escola particular e minha mãe era faxineira, ou mesmo cozinheira. Como minhas roupas e chinelos eram simples o pessoal me tirava para "bater e humilhar". Faziam uma roda, colocavam um japonês que era o mais popular e ele partia para cima de mim. Não me sobrava muita coisa senão aceitar aquele destino. Sofri durante muito tempo ... sim, sofrer é a palavra mais coerente com o inferno que a pessoa paassa nessa idade. Só fui me acostumando com isso quando a idde aançou. Mas hoje encontro outros problemas, por vias diferentes. Como desenvolvi algumas qualidades interessantes, as pessoa criticam e humilham para se sentirem melhor do que eu. Já me estressei mais com isso, mas hoje estou melhorando, com o tempo elas vêem que não estou nem aí para isso e acabam ignorando esses lampejos de orgulho. Bah! Tu és ateu? Eu também... rs... outro problema né? Por acaso tem algum artigo falando disso? Outra coisa. Podes me passar o link daquele artigo que fala sobre a mentira ser a base da sociedad emoderna?

Camarada, grande abraço e sucesso!

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

já fui humilhada por uma pessoa que nunca poderia imaginar, mas a vida é assim.

Rodrigo disse...

é, eu também tive muitas destas situações. dá raiva, hoje. que "violência só gera...", não posso guardar rancor. talvez tudo isto tenha me tornado uma pessoa melhor mais cedo. quem sabe? estou parecendo conformado? é o que posso fazer com o que se passou. no presente, milito para não ver mais cenas do tipo, mesmo sendo crianças que estejam "atuando" tais situações. não é possível admitir atos de humilhação e depreciação. não é humano, no sentido da palavra.

Mafê Probst disse...

Apesar de não ser nada bom, certas humilhações nos tornam mais fortes e mais decididos.

Jade disse...

Quem está fora da média, sempre está mais exposto à humilhações, mas nunca passei por isso, talvez porque nunca dei essa brecha a ninguém.
Infelizmente passo por isso profissionalmente, faltava-me coragem para mudar, então ia engolindo os sapos, IA...
Beijos!!

Nathália E. disse...

Nossa, isso é quase estranho: semana passada ou retrasada, sei lá, eu fiquei hoooras tentando lembrar o endereço do seu blog. Mas como minha memória sempre me boicota, eu desisti. Nem pensei em procurar nos favoritos dos blogs que tinhamos em comum.

Agora, sobre o post:
Quando eu era criança, as outras crianças não gostavam de mim porque eu era a única que não comprava as brigas idiotas das minhas "amigas" e que sempre largava a roda das meninas pra trocar as figurinhas dos Cavaleiros do Zodíaco com os meninos sem nem pensar duas vezes.

Mas nunca cheguei a sofrer humilhação por causa disso.

Humilhação mesmo foi com a maldita professora da 1ª série do primário.
Eu lembro como se fosse hoje o dia! Ela mandou as pobres crianças escreverem o recado que ela ia ditar pros pais. Daí ela falou a palavra "nylon".
Eu pensei: Hãm?
E escrevi: náilom.

Nisso, eu virei pra trás pra conversar, eu acho. Daí ela gritou meu nome bem alto no meio da sala e pediu pra ler o que eu escrevi.
Quando ela leu o "náilom" disse que eu era uma burra e que ela não sabia como eu estava na 1ª série se nem saber escrever nylon eu sabia. E ela gritou: É com "y", garota! Com "y"!!!

Fiquei séria o resto da aula. Depois cheguei em casa, fui pra oficina do meu pai e chorando eu perguntei: Pai, o que um "y"?

Terrível, né?

Então, vou favoritar seu blog lá no link do meu.
Foi bom te reler de novo ;)

Beijo!

Thaise de Melo disse...

É eu já me senti humilhada por vários motivos, por condição social, opção religiosa ... e mts outros.

Mas falando sobre o que vc comentou no meu blog, bem o sofrimento nem sempre é opcional, as vezes ele simplesmente acontece, a saudade enquanto não se acaba com ela, não pára de doer ...

Anônimo disse...

É uma boa saída procurar outro emprego, outra escola, outro bairro, outro prédio. Mas não resolve o problema, a única forma de resolvê-lo é enfrentá-lo, mas cada um sabe do que é capaz, ou não.

Beijos ;*

Roberta A. Mondadori disse...

Seus pais eram ateus? Nunca conheci ninguém que afirma-se ser ateu desde pequeno. A escola deveria servir como um segundo lar para a criança, e em vez disso, muitas dessas instituições se mostram piores que as ruas, sejam em relação à discriminação ou a segurança de seus alunos e funcionários.

É muito complicado saber que os professores, que deveriam ser transmissores de conhecimento, acabam por ser os principais causadores de desconforto entre os alunos, por colocá-los em situações de humilhação constantemente.

Volte sempre ao meu blog, e responda minha duvida, obrigada...

Jana disse...

1. crianças podem ser extremamente crueis.

2. adultos frustados tem chances maiores de se tornarem pessoas como sua ex professora.

Mas de alguma forma escancarada ou sutil todo fomos e seremos humilhados.

PS: Sobre meu post, não estou falando de Deus e Diabo religiosamente, é algo como o ID e o Superego. Assuno todas as minhas responsabilidades.

Beijo

Alucinógena disse...

Cara, na infância eu sempre fui tão quietinha que quase ninguém me notava. Agora, quando cheguei na adolescência, eu perdi todo o receio que eu tinha de me expor e chutei o pau da barraca. Não tava nem ae pro que ninguém dizia e fazia o que queria. Só que eu nunca fui rebelde sem causa, ao contrário, cuidava dos meus estudos, da minha vida e não deixava ninguém atrapalhar o meu caminho.

Muita gente não gostava de mim por isso, porque eu não me intimidava com eles. Se quisessem me bater, eu ia levar o farelo, mas depois, a gente ia ver quem ia rir por último: sempre fui ótima em arquitetar as forras.

Mas só precisei fazer isso muito tempo depois de sair da adolescência...

Roberta A. Mondadori disse...

Uia, to chique! HAhahaaha
Obrigada gostei muito, está em meus favoritos!

Beijos...

Anônimo disse...

Bem, eu sou meio gago...Meio no sentido de que apenas quando estou nervoso, falo com uma mulher ou conto uma piada, eu acabo gaguejando...Mas quando garoto eu era totalmente gago...E cara, crianças odeiam colegas gagos...

E bem, voltei do Rio, fui lá apenas pra passar um final de semana e fazer uma prova...Provavelmente vou voltar lá mais vezes, tenho algumas...razões de ordem pessoal...que me ligam de novo ao Rio...Acho que eu não iria ter nascido lá pra sumir de vez, eu acho...

Tita disse...

Adorei seu post, é bem verdade... e faz pensar também.

Sou uma professora primária e odiaria saber que deixei uma marca tão profundamente triste em algum aluno. Trabalho pra que cresçam felizes e gosto quando vejo que retribuem meu amor, quero que tenham boas lembranças de mim e dessa fase tão bonita que é a infância. Seu 'desabafo' me fez pensar que talvez eu não esteja fazendo o suficiente, vou me esforçar e me dedicar mais. Obrigada. ;)

Cristiane Alberto disse...

Se há uma coisa no mundo que eu definitivamente não consigo entender é um judeu ateu. Será que sempre foi assim ou isso é um fenômeno pós-holocausto?

Desculpa a minha ignorância, tá?!