Isso só aconteceu comigo duas vezes: mulher me dar mole num banco de ônibus. Pena que sempre foi muito longe da minha fantasia, que era mais pra algo como "A dama do lotação", algo que dificilmente aconteceria na minha vida.
A segunda vez não teve a menor graça. Apenas uma mulher puxou um assunto qualquer no ônibus depois de colocar a mão na minha perna. Era bem, por assim dizer, comível, mas não valia um maior investimento. Arrumei um assunto que culminasse no meu telefone que ela anotou, mas nunca teve coragem de usar. Uma pena. Uma foda a menos.
Enfim, algo que sempre funcionou em mim após minha adolescência (e talvez um pouco durante) é a minha capacidade de perceber quando uma mulher está interessada, mesmo que eu não saiba como abordá-la. Por sorte, algumas vezes foi feito o movimento inverso.
Certa vez, passando de ônibus por um shopping na Zona Sul do Rio a caminho do Largo do Machado, vi um grupo de três garotas no ponto querendo chegar a uma estação do metrô. Uma delas me viu e disse "Acho que esse aí vai" – e entraram.
Logo, duas sentaram-se na minha frente e outra ao meu lado. A que estava mais próxima encostou a mão na minha perna (parece ser uma tática recorrente) e gaguejou algo, mas desistiu e pediu desculpas. Pouco tempo depois, repetiu o gesto e me perguntou se o ônibus parava no metrô.
– Estou indo pra lá, vocês descem comigo – arrisquei. O resto da viagem seguiu em silêncio. Descendo na praça, as encaminhei ao metrô e fui esperar um amigo e elas desceram a escada. Para minha surpresa, uma delas subiu de volta.
– Sabe o que é? Minha amiga gostou de você, te achou bonito... – abri um sorriso, como se nunca tivesse ouvido isso antes. De fato, dadas as circunstâncias, era uma grande novidade.
– E por que ela não vem aqui falar comigo?
– Porque ela é tímida. Toma o telefone dela.
– Quantos anos ela tem?
– Quinze.
– Onde ela mora?
– Vila da Penha.
Bastou. Na época, eu não tinha vinte anos, eu acho, e aquilo era o fim do mundo para um garoto da Zona Sul. Elas partiram, chegou meu amigo – que eu pus imediatamente a par da história. – Liga, moleque! – sua reação óbvia.
Por mim eu não ligaria. Não sabia lidar com esse tipo de situação – mas acabei ligando, sem conseguir encontrá-la. Não demorou para eu desistir. Guardei seu telefone como guardo todos os telefones que eu anoto até hoje. Apenas quase dez anos depois fui a Vila da Penha e descobri que é muito mais acessível do que eu pensava. E realizei que, mais uma vez, perdi uma foda à toa.
22 comentários:
Perdeste. Queria saber quando se perde essa machismo kkkkkkkkkkkk
beijo
hUIAHIHAUHIUAAHIUAa... fóda perdida à toa deve ser pior que parir! :p
beijos
Eu tenho um amor do ônibus, queria ter coragem de tomar alguma atitude.
:*
O meu caso de ônibus é um caso de amor. aeuhaehuaehuaeuaeu.
:*
Oi,
Eu já postei a 4 Temporada de House, até procuraria o link pra vc no blog, mas esta uma *&%$$@#..
Boa semana pra ti!
silêncio no ônibus é isso, o mesmo motivo que resulta para a abordagem (eu estou aqui e você também, que tal?), também é o mesmo que pode ser desagradável (eu vou ter que ficar aqui sem ter o que dizer e você também) haha. ::P
Eu não ando muito de ônibus não. E não é porque sou uma lady que só anda de carro pra lá e pra cá... É que eu só ando a pé mesmo. Hahaha, deprimente.
Na verdade não, sempre que eu posso evitar andar de ônibus, eu evito.
Já passaram a mão em mim no ônibus... Essa coisa de ônibus cheio é um problema.
E eu já conheci um velhinho no ônibus. Ele adorava conversar sobre a vida dele. Um amor.
Fora isso... Nada de interessante ou de fodas casuais perdidas.
Beijo!
É como eu costumo dizer:
Às vezes perdemos algumas oportunidades por puro preconceito da situação. O problema do ser humano é que ele não pensa. E o problema é que ele pensa.... demais!!
Salve Sujeito Oculto...
em breve estarei mais frequente...
Abraços
Por uma boa causa é importante saber esperar...
Abraço
Paulo
PS: O meu fetiche libidiano é, de facto, um ônibus lotado de garatos...
...cara já passei por isso! É terrível. Se fosse hoje insistiria mais... até encontrá-la.
De qualquer forma, talvez não fosse pra acontecer.
Abraços
Eu já sou diferente,
Eu insisto e insisto, se não der certo eu apago o telefone da minha agenda... é um pouco de orgulho, e algumas vezes eu até me arrependo, mas nos dias de solidão a gente cai na merda de ligar pra qualquer uma e pedir um encontro, isso é falta de dignade. Rsssssssssssss
Eu conhecí poucas mulheres no ônibus, não tenho tanto senso pra saber quando elas estão interessadas, devo perder algumas mulheres por causa disso, a última que conhecí foi porque ela puxou papo comigo, eu pedi o telefone dela e ela me deu o telefone errado, é uma vaca ou não é? rss
kakakaka
"uma foda a menos" é trash.
nunca rolou comigo esse lance de ônibus não... sou uma mulher séria demais... :P
Beijos
você sabe o que significa tête-à-claque? Procure saber, porque você é um.
"Enfim, algo que sempre funcionou em mim após minha adolescência (e talvez um pouco durante) é a minha capacidade de perceber quando uma mulher está interessada, mesmo que eu não saiba como abordá-la."
Bah, isso é quase um dom cara...Eu sou do tipo que só nota uma oportunidade uns...seis meses depois que ela passa...
Zeca da vilaDesculpe o meu comentário, mas acho que você é GAY porque uma garota bonita te da mole e você rejeita então vc é um gayzão. Vai caçar uma rola que este deve ser o seu fraco.
Adorei esse último comentário!
Háháhá esse cara anônimo é muito engraçado. Sssasinhora! Oculto o cara é hilário, sei lá se tá falando sério mas é hilário....
o que não concorda com a historinha do bashô? fiquei curioso
ah, acabei de perceper que você PRECISA ler um livro que eu estou lendo agora. chama-se FERMATA, puts aposto que tu ia gostar hahaha
Rapaz, a VP é muito fácil de chegar...não sei nessa época aí, mas hoje é so vc pegar um metrô. Linha 1 e depois linha 2.
Perdeu a foda mesmo...
E olha que as meninas da VP são meio marrentas hein...
abs
hahahahahaha.. vp eh logo ali .. 484/485 bolado .. ahhahahah
preconceito bairristico eh foda mesmo.
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