12 de agosto de 2008

FELIZ 2007

Umas semanas após terminar um namoro relâmpago, voltei à boate de sempre para terminar a noite. Eu estava ridiculamente trajado, de bermuda e camiseta, algo que não se faz, e semi-alcoolizado, pois o evento da noite era para ser apenas um jogo de sinuca cheio de cerveja. Mas surgiu a idéia de esticarmos a madrugada e assim fizemos.

Conhecendo o gerente da boate, consegui liberar a entrada dos dois amigos que foram comigo e fomos direto para o bar. Eu já estava pedindo uma Bohemia para aliviar o gosto de Antarctica que se fazia presente em meu sistema digestivo quando ela passou. Não mudara nada, tinha a mesma cara e o mesmo corpo de nove anos antes. Chamei-a pelo nome.

- Não acredito que não tá me reconhecendo...
- Hmm... faculdade... (com uma cara pensativa)
- É, sou eu mesmo!
- Como você mudou, sei lá, tá mais...
- É, eu mudei bastante. Já você, continua igualzinha.
- Ah, que é isso.

Era verdade. E depois, todo o rancor havia passado, ficou só a história mesmo. Raiva eu tinha do ex-namorado corno dela, que me chamou pra porrada e amarelou.

Sentamos na parte externa da boate e começamos a conversar. Descobrimos que tínhamos bastante coisa em comum, depois que saímos da faculdade. Ambos fizemos mestrado, ambos estávamos em empregos que julgávamos temporários (ainda que o tempo fosse longo) e ambos estávamos participando de seleção para doutorado.

Conforme o papo avançava, ela parecia mais e mais interessada em mim. A manhã não tardaria a chegar e qualquer movimento teria de ser dado em breve caso aquilo fosse evoluir. Avancei, ela recuou. "Eu tenho um problema. Costumo respeitar as mulheres", disse. Ao que ela retrucou, decepcionada: "Sempre respeitou". Era a deixa: "Até demais, não é?" e um leve aceno de sua cabeça abriu o caminho e, nove anos depois, dei-lhe um beijo. Aquilo teve um certo gosto de vingança, afinal ela só me arrumara problema!

Eu sabia que aquilo não podia evoluir. Jamais confiaria nela depois de tudo que aconteceu. Mas, como eu disse para um amigo meu lá, era como se eu preenchesse uma lacuna, já que a curiosidade fora inevitável nesse tempo.

Subimos para um quarto mais escuro onde pude avançar um pouco mais. Seu corpo esquentava na medida em que beijava seu pescoço e minha mão passeava livremente por suas curvas. Levantei sua blusa e vi aquele par de seios perfeitos. Conforme minha língua experimentava aquilo que lhe fora negado tanto tempo atrás, a intensidade dos gemidos aumentava.

Infelizmente, o sol despontava e a claridade, nesse momento, não era nossa aliada. Descemos, ela se encontrou com a amiga e comentou algo sobre não ter ficado comigo antes por causa do então namorado.

Depois desse dia, ficamos mais duas vezes. Uma em seu aniversário num barzinho, evidentemente após sua família e outras pessoas próximas irem embora. O que me deixou feliz nesse dia foi ver a cara do goiaba quando ele entendeu que eu ia ficar com ela naquele dia. Ali, lamentamos não haver onde ficarmos a sós.

O outro foi quando a chamei para a night em outra boate. Esse era o dia em que eu pretendia, digamos assim, estreitar o contato. Ela morava perto da boate e deixei o carro em sua casa par irmos a pé. Não houve espaço para as coisas esquentarem lá dentro, então tratamos de esquentá-las na porta de sua casa. Quando a chamei para o carro (minha intenção era levá-la para a Urca, como de costume), ela disse que era melhor deixar para um outro dia.

Entendi que, para chegar aonde queria, eu teria de me comprometer mais do que estava disposto. E, apesar do rancor ter passado, eu sabia que nunca viria a gostar dela. Desse dia em diante, nos falamos pouco, e sem o ressentimento de outrora. Algumas histórias ficam melhores quando não há conclusão.

18 comentários:

Rodrigo disse...

na minha opinião, a melhor crônica dos últimos tempos aqui do blog. cara, parabéns. será o desejo maior que o orgulho? vão se os rancores, ficam-se as mãos, cheias de dedos... espero pelo texto que contará o que aconteceu 9 anos atrás, apesar de poder imaginar! abraço

Rodrigo disse...

esta história tem um Q de John Cusack em "Alta Fidelidade"

Sujeito Oculto disse...

O texto que conta o que aconteceu antes é esse aqui.

Anônimo disse...

homens... HUAIAHIAUHAIHIAHIHAIUH

Flávia disse...

Com certeza algumas histórias ficam melhor sem conclusão...gostei muito dessa idéia! :)

Aline Ribeiro disse...

Vc tem razão, algumas coisas não precisam ser concluidas pq de fato nunca começaram.

Há tempos q nao vinha aqui, mas sempre me arrependo de ficar asente.
Adoro as crônicas.

Bjm

Bem Resolvida disse...

Ah...esse tipo de mulher não merecia a antenção recebida na boate....

Anônimo disse...

Fiquei sem saber sobre o que houve antes, mas acho que você deveria ter aproveitado mais o tempo com a moça.

Zek disse...

Cara, tá certo... algumas historias ficam muito melhor quando não concluímos....

Flávio Dantas disse...

li e gostei!
vamos nos linkar? :}

Nathália E. disse...

A lacuna foi preenchida... Nada de ressentimentos... Pra que conclusão? Né?

Beijo!

Moni disse...

Se não sem jeito é melhor deixar as coisas como estão, sem um ponto final.

gostei muito!! :D

beijos

Srta Diazepan disse...

adorei a história.. mas frustrante. E se fosse bom? E se vc começasse a gostar...?

Anônimo disse...

Sua vida daria um filme indie, cara...E quando se perde a confiança, aí ferra tudo...E sim, foi um tanto quanto "Alta Fidelidade" esse post.

Igor Lessa disse...

Confesso que tenho dificuldade de "deixar pra lá", assim. Mas, de qualquer forma, concordo que algumas situações são melhores resolvidas, se não resolver-se nada. Aliás... Se eu fizesse isso, teria evitado muitos aborrecimentos... Apesar de que teria evitado tb, um monte de textos que escrevi na merda.


Um abraço, cara.



Olhando Pra Grama - Crônicas de um ansioso

Alucinógena disse...

Hum... não gosto de coisas não -concluídas. Prefiro as que se concluem mas que deixam brechas pra continuações. Pior é que quase sempre, essas brechas existem, é só saber procurar.

Gustavo Martins disse...

Sabe os provérbios de boteco, né? Os MCPs são ponteados dessas grandes verdades. Temos uma coleção delas, podemos trocar essas figurinhas uma hora dessas.

Tem essa que é uma das infalíveis: "Foda adiada é foda não consumada".

Então, achamos que finalmente o paradigma seria quebrado. Não foi, por enquanto.

Agora, conta aí... Com toda a frieza das moças da nossa terra, as coisas aqui costumam acontecer mais rápido. Parabéns pela paciêncoa, S.O.!

Debora Ferreira disse...

voce e suas muitas mulheres... é como se eu tivesse lendo o diário do Charlie Harper, do 'Two and a half man' ! hahahaha

to de voltaaa
http://meetmeattehdisco.blogspot.com