PERDENDO O TIMING
Era para ter sido uma daquelas histórias em que tudo é mágico enquanto acontece. Conheci-a na casa de seu primo, era uma gracinha, daquelas com jeito de menina, olhar penetrante e um sorriso sem igual.
Não me lembro bem da conversa que tivemos, mas o tom era delicado. Parecia que tomávamos cuidado um com o outro, não queríamos que nada estragasse o momento. Falamos sobre relacionamentos, sobre o que erramos no passado, o que queríamos para o futuro...
Ela tinha um cheiro doce. Não era de perfume, era dela. Como sua voz, fala mansa, mas firme. Havia se desiludido com o ex-namorado, com quem pensara que passaria o resto de sua vida. Eu ainda não tinha me apaixonado de verdade, não perdidamente, fora pelos amores de infância.
O momento era perfeito. O clima estava pronto, faltava pouco para um beijo. Havia tempo em que não me sentia tão ansioso perto de uma mulher (menina?) e, ainda assim, com o domínio da situação. Até que eu cometi um erro fatal: falei demais.
Ela me disse quem era sua irmã e eu, ingenuamente, contei que havia ficado com ela. Claro que não entrei em detalhes e, na hora, ela não pareceu ter ligado muito. Saímos para dar uma volta de carro, fazer um lanche na madrugada, voltamos, mas eu sentia que não havia maneira para a abordagem. Talvez um beijo de despedida...
Mas não aconteceu. Ela, muito mais baixa do que eu, me deu um beijo no peito e um abraço apertado, não dando margem para nossos olhares se encontrarem.
Passaram-se um, dois anos, não sei. Encontrei-a no ICQ e resolvemos sair. Cheguei a sua casa de carro e ela me chamou para subir. Seu jeito havia mudado. Não era mais tão delicada, seu cheiro não era mais doce. Acho que sequer tomou um banho para me encontrar. Conversamos um pouco, ela me disse que havia tentado fazer um rastafári no cabelo, ficara semanas sem lavá-lo, mas desistira. Acendemos um baseado e acabamos nos beijando. Um beijo falso, de algo que era para ter sido e não foi. Depois ela me confirmou que não ficara comigo por causa de sua irmã. Meia-irmã, na verdade, que morava em outro estado e com quem ela nem se dava muito bem. Mas tudo bem. Erro meu. E não saímos mais.




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7 comentários:
isso faz tempo, hein? ICQ? bom, ou ainda usa. sei lá.
e cara, desencontros são constantes e isso torna um texto ter sua graça. erros dos dois.
Encontros e desencontros, como diz a tradução engraçada do título do filme do Bill Murray. E meu pai sempre me sugeriu evitar mencionar na frente de qualquer mulher que me interesse o fato de que eu já existia antes do instante em que ela me viu pela primeira vez. "Deixa ela pensar que você é feito um unicórnio ou um duende, sei lá". Sabedoria de pai funciona em certos momentos, eu acho.
Há tanto tempo não venho por aqui... Na verdade, tenho visitado pouco.
Mas o texto de hoje me chamou a atenção porque acabei de receber um email, junto com o seu, em que a pessoa me contava uma história e no final usou exatamente essa expressão: "perdi o 'timing', e não é a primeira vez..."
Olha que curioso!
A propósito, a sabedoria do Sr. João Pai é bastante apropriada! rs*
da próxima não fala, beija!
hahahah
;*
Essas situações são chatas, perder o momento perfeito é uma bola fora pra sempre. Tanto que você se lembrou e escreveu.
Falo nessas últimas palavras por mim só,deixei escapar o único amor da minha vida em uma situação parecida.
Parece-me que só de se preocupar no timming já pode acabar com o que se espera que aconteça no que acontece no timming certeiro. As coisas são quando são, a hora é quando for a hora. Foi falso, mas foi. Não? Grande Abraço!
beijos falsos são os piores, fujo deles....
beijos, querido
MM.
>>> desisti de desistir.... ia fechar o fina flor, mas desisti, rs*...
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