
As palavras mágicas. E quem servia a vodka (na boca) era a irmã de um amigo meu. Uma graça, eu já quis ficar com ela há um tempo. Eu havia terminado um namoro longo e sério, praticamente um casamento, tinha poucos meses e estava numa fase "Yes man", querendo fazer tudo o que deixara de lado durante o tempo em que estava namorando.
Era uma quinta-feira, ou seja, nada de encher a cara e chegar de ressaca no trabalho. Mas algumas doses não me fariam mal. O problema é que os caras com quem eu tinha combinado iam chegar tarde e acabei indo com outro amigo, para esperá-los lá mesmo. Eles nunca chegaram.
O lugar era exatamente o que eu esperava: cheio de cachorras, dessas que vão à caça nos happy hours e uma música muito, mas muito ruim. Me lembrou a década de 90, quando a dance music estava em alta e eu, sempre roqueiro, me sentia em outro mundo.
As idades das mulheres variava de 18 a 50. Algumas eu tenho certeza que ganhavam renda extra trabalhando à noite. Os caras, normalmente playboys que deixaram o pescoço em casa e mauricinhos metidos a yuppies, vinham em bandos e, às vezes com grupos de mulheres acompanhando.
Consegui tomar três doses de vodka servidas por ela e percebi que talvez algum progresso tivesse acontecido ali. Da próxima vez que encontrá-la, vai ser mais fácil entrar num assunto e chamá-la para sair. Mas para outro lugar.
A uma certa altura, eu e meu amigo paramos perto de um desses grupos e uma das mulheres estava dançando até o chão com dois caras com as mãos nas suas coxas. Depois ela saia e puxava outro cara enquanto sua amiga ia dançar com os outros dois. No final, todos os caras estavam ficando com as mulheres do grupo e não sei que tipo de suíngue sucedeu aquilo.
O tempo passava e nada dos caras chegarem. E nada dela aparecer com a vodka novamente. A música ia de mal a pior quando o DJ anunciou que era hora de começar o funk. Chamei o meu amigo e falei que daquele nível eu não conseguia baixar. E o auge da noite foi o ar condicionado no vagão do metrô.
No final, ficou aquela sensação que eu não tinha há muito tempo de estar num lugar ao qual eu não pertenço, algo que fez parte de toda minha adolescência. Só que agora eu já sei que o lugar está errado. Eu não.
6 comentários:
Eu tenho vastas experiências com isso de ir ao lugar errado, mas acho que a sua sintetiza bem o conceito. O bom é crescer e ao menos entender que o problema não é com a gente e sim com o lugar. Quer dizer, ao menos algumas vezes é.
Bem, eu aceito a vodka. Mas nada de dancinhas, nunca, jamais, em hipótese alguma. Fico ali escondida, no balcão, na minha ou, no máximo, batendo papo com o cara do bar. Em lugares errados, é o máximo que tiram de mim.
Já pro homem, sei lá. Penso que não precisa ser muito diferente disso se o lugar não é dos mais chegados. Ou vai embora logo de cara. E nada de culpa. As costas da gente não devem ser muito largas para carregarem um peso assim...
Meu beijo.
Tenho uma memória excelente! Depois da segunda dose de Zvonka ela se apaga.
Amigo,
o endereço do meu blog mudou e por isso peço que link aqui em seu blog o meu novo endereço:
www.nosso-cotidiano.com.br
abraços
Hugo
Podia ter sido pior. Pagode!
Podia ter sido pior! Pagode! :P
Beijos
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