Não era bonita, nem mesmo de corpo. Perguntou-me se eu achava que as mulheres deveriam depilar a coxa. Só por maldade disse-lhe que sim. Queria ver até que ponto ela iria. Ela não depilou.
A conheci a partir de minha amigas de cursinho, com quem costumava sair. Acho que gostou de mim porque eu dava um pouco de atenção. Numa de nossas saídas, acabamos sozinhos no carro e conversamos por horas a fio. Ela contou sobre suas experiências nos Estados Unidos, sobre as letras do Kurt Cobain e como ela se identificava com suas experiências. Somente mais tarde vim a dar-me conta de que essas experiências eram os revertérios e ressacas de drogas mais pesadas.
Num barzinho desses, saímos em sexteto. Um amigo meu acabou ficando com outra amiga minha depois de tomar umas dez doses de cachaça. Na época, não tínhamos dinheiro para beber e ficávamos no Velho Barreiro mesmo. O problema é que eles se agarraram por cima da mesa e acabamos todos expulsos do bar! O outro "casal" (ele queria e ela não) foi caminhar pelo calçadão. Eu e ela caminhamos até a praia e, quando me dei conta, estávamos apenas os dois na areia. Como não havia nada melhor para fazer, acabamos ficando. Foram dois beijos. O terceiro, eu recusei. Era apenas a segunda mulher que eu beijava.
Como era de se esperar, ela ficou apaixonada, mandava todas as diretas e indiretas, até que eu a chamei para conversar (na época eu tinha a dignidade de fazer isso) e disse que aquilo estava me deixando constrangido. Numa festa de Halloween (história que ainda contarei aqui), ouvi de sua boca a seguinte frase: "... fica com todas as meninas, menos comigo". Era verdade.
O tempo passou e perdemos contato. Anos depois, soube que havia sido entrevistada num documentário sobre um edifício em Copacabana. Foi apresentada como sociofóbica e considerada uma das personagens mais interessantes do filme. Não foi à tôa que nós mudamos seu sobrenome para Neura.
Passaram-se mais alguns anos e encontrei-a numa boate. Como antes, quando seus olhos encontraram os meus, voltaram-se diretamente para o chão. Havia dois caras chegando nela. Fiquei com pena. Dela... e deles.

29 comentários:
:O
Coitada... No fim de tudo sinto uma pena destas pessoas.
bjão
Cruel essa história meu amigo...
abs
Por pior que ela seja, recusar o terceiro beijo foi de lascar. Nesse dia, você acabou com a vida dela. Hahahahaha.
Alguns de seus posts são muito legais. Contudo, alguns deles são tão apelativos e sem conteúdo que a gente fica sem saber o que comentar. Esse é um.
A póbi réia, devia ter depilado a coxa :)
TÔ bege.
Gostei bastante do seu blog. hoje andei navegando por ele. achei interessante demais o modo como vc liga (e linka) as coisas, assim, mesmo chegando aqui há pouco tempo, não nos sentimos tão perdidos.
quase dá pra conhecer o senhor oculto.
bjs
Para o Anônimo: talvez a minha vida seja mesmo meio apelativa, mas eu chamo isso de intenso. Essa história, como todas as outras, realmente aconteceu. Aliás, minha intenção ao contá-la foi ver se alguém sabia de quem e de que documentário eu estava falando. Alguém se arrisca?
Não pude ler, ainda, a "história cruel" (nas palavras do Beto querido).
Passei só pra deixar beijo de bom dia, porque já estou na correria!
Beijos de bom dia!
;o)
Que coisa heim!!
Me apeguei na parte do documentário. Deu até vontade de assistir só pra ver se é possível identificar a figura.
Bem, me passa seu msn?
O meu é pontesporto@hotmail.com
Beijos sujeito
Ai, que cruel..............
beijos, querido
MM
Percebo que as histórias realmente aconteceram, aliás elas poderiam ter acontecido com qualquer um de nós, leitores de seu blog. Não vejo nada de muito intenso nisso, se você acha tudo bem.
O Q da questão é que você conta a história mas não conclui, ta bom que era mostrar o dito documentário. E os outros posts no mesmo estilo, em que vc conta uma historinha que aconteceu e não passa sua conclusão? Fica aquele acontecimento corriqueiro em forma de post, sem que saibamos o que dizer, posto que poderia ter acontecido com qualquer um de nós. Veja quantos comentário de uma frase tem nesse post e em outros na mesma linha. Acho que outros leitores também não tinham muito a dizer. Não propiciou formação de opinião.
Não precisa comentar meu comentário, pode até apagar depois de lido, é uma crítica construtiva, pois gosto de seu blog. Você escreve muitos outros posts bons.
sera q era mesmo espaço para pena?
Sinistro... rs
Voltei agora e li a história toda, Sujeito.
Já comentei aqui, em dias passados, que, ou sua mente é mesmo muito criativa ou você tem uma tremenda "sorte" de encontrar cada gente!! kkkkkkkkk
Cada figura!
E aí, me deparo com a "crítica construtiva" do "Anônimo".
Beleza. É uma opinião.
Mas por que "anônimo"??
Bem, deve ter uma razão. Anônima.
Agora, cá entre nós, o meu blog, pelo menos, não tem a menor intenção de formar opinião. O seu tinha???? E é mesmo assim importante que haja comentários??? E que os comentários tenham mais de uma linha?? Ai, preciso rever meus conceitos...
:o)
(Bem, aqui está um comentário grandão!! hohohoho!!!)
Suzi, quando comentei, eu me dirigi ao Sujeito Oculto. Era um comentário como outro qualquer, afinal quem tem blog está exposto a elogios e críticas.
Se vc quer comentar meu comentário, fique a vontade. Nunca foi minha intenção causar polêmica.
Sou Anônimo porque o site me dá esse direito, assim como voce exerce o direito de comentar os comentários do blog alheio.
Coitada das mulheres que se relacionam com você :P
Senti um nó imenso na garganta agora.
Não sei exatamente o motivo, mas meio que me vi nessa menina...
Cara, eu preciso voltar pra terapia! Urgente!
Grave!
Qual é o documentário de que você estava falando?
até eu fiquei com pena dela!
muito bom isso aqui.
beijos.
=*
o q a faria diferente das outras?
o pq do passeio no calção e a recusa do beijo... menina tonta e menino mau rsrs
perfeito
beijos
nossa que cruel...a cruedalde faz parte da vida , ams parece haver um prazerzinho sórdido nas suas palavras...mas muito bacana seu blog...beijão e até...
Carol Montone
Copacabana Palace do Eduardo Coutinho, certo?
o nome da pessoa eu não me lembro, mas sem dúvida ela é a mais interessante do doc! (é isso memso eu fiz confusão?)
Beijos
"Suzi, quando comentei, eu me dirigi ao Sujeito Oculto".
rs*
Eu também.
Mas agora este é pra você, Sujeito Anônimo:
Bom domingo!
:o)
Edifício Master!?!? Eu vi o documentário há uns dois anos e lembro de uma estudante de arte doida assim! Não me esqueço dela porque ela nunca olhava pra câmera, era sempre pro chão. Bizarra mesmo, mas coitada...
Acho que lembro do documentário; se não me engano era de um edifício em Copacabana, ou algo do gênero... eu juro que não lembro...
Mas fiquei impressionada com a reportagem e tudo...
E quanto a você ter recusado o terceiro beijo, eu entendi, saca? Bem provável que eu fizesse a mesma coisa...
Beijos.
detesto gente que evita olhar nos olhos ¬¬
;*
Como dizia um cartaz de filme "A maior batalha será interna"...Se a pessoa não resolve seus problemas internos, tudo que é externo vira problema...Ou algo assim...Fiquei meio filosofico agora...Vou parar...
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