Bem, amigos eu fiz, pelo menos bons colegas. Rapidamente me tornei o melhor aluno da sala, me destaquei na aula de música e, pelo menos naquele ano, não arrumei nenhum inimigo, ninguém que me desse porrada ou me jurasse de morte. Na verdade, tinha uma garota que me odiava e eu não sabia por quê, mas a odiava de volta.
Mas a coisa mais difícil nessa idade era fazer alguma garota se interessar por mim. Em todas as salas por que passei, havia uma, por assim dizer, musa. Musa porque era absolutamente impossível para mim ter mais contato do que trocar umas duas ou três palavras. E eu continuava apaixonado.
Na quarta série havia essa garota. Metida a surfista, não muito inteligente mas, por algum motivo, apaixonei-me por ela. E ela? Não posso dizer que era indiferente. Provavelmente me achava um idiota. Não é sempre o que a gente pensa?
Por três anos, ela me esnobou, apesar de que, desde o segundo, eu já tinha outro amor (e outro ainda no terceiro).
Dez anos depois, encontrei-a novamente. Descobri que era irmã de um amigo recente meu e acabamos no mesmo cursinho, mas o máximo que fizemos foi matar aula para tomar uma água de coco na praia de Copacabana. Ainda a encontrei esporadicamente durante um tempo, mas raramente nos falávamos.
Mais nove anos se passaram. Encontrei-a no metrô e conversamos um pouco. Estava com aquela pose típica com o pezinho para trás e mexendo no cordão, algo além de estar feliz por rever um velho conhecido. No mesmo dia, deixou-me um recado no orkut me chamando para tomar um chope.
Eu já estava para terminar o namoro, então só respondi depois que fiquei solteiro novamente. Da primeira vez em que saímos, não passamos muito do chope: ela estava bem mais interessante, com mais experiência, mais assunto e parecendo bem mais inteligente. Mas tinha de acordar cedo no dia seguinte e não pude subir na sua casa.
Poucas semanas depois, encontrei-a online no msn. Perguntei se já tinha jantado, ela disse que não. Convidei-me para sua casa e ela aceitou.
Pedimos uma pizza, assistimos um pouco de TV e conversamos. Pela primeira vez em muito tempo, fiquei nervoso por estar com uma garota. É impressionante como a gente passa a achar tudo corriqueiro conforme a vida passa.
Finalmente nos beijamos e... a pizza chegou. Não nos concentramos muito na comida e fomos para o sofá. A coisa nem esquentou muito. Mais uns beijos, umas carícias, e só. Nem eu mesmo estava com muito tesão. Voltei para a minha casa com uma rara sensação de satisfação: uma antiga lacuna havia sido preenchida. Agora eu podia me virar para aquele moleque de dez anos e falar: "você é foda, cara! Você conseguiu!"
27 comentários:
to esperando reencontrar os meus amores do primario rsrsrs
abraço
Thales
outro dia, vi um moça da minha infância na paulista. mas não rolou aquele ânimo para falar um oi para ela.
Gostei muiiito dessa crônica, mocinho.
Você estuda a linguagem corporal??? É que você falou da pose dela. Eu já li algo a respeito, e é engraçado (pq tento disfarçar) quando eu percebo que estou fazendo exatamente o que eu li.
Eu SEMPRE fico nervosa quando estou com um garoto, e expresso exatamente o que não deveria quando fico assim. :(
E o filme dessa foto é muito legal! :D
Bom fim de semana!!!
eita, quantas paixões..
Nem tenho mais esperançar em encontrar meus amores do ensino fundamental... Muito dificil de rever alguém que eu conheci no Rio, né? 2400 km separando...
Mas pode acontecer. Embora eu nem ligue mais pra meus amores do fundamental, não ligaria se uma ou duas, das que eu me lembro, aparecesse pra mim qualquer hora dessas... rs
E não tem endereço, não. O Teatro Mágico é uma banda (até onde eu sei é só banda...).
ah, eu também não tenho muito jeito pra essas coisas da paixão, não. Acabo por conseguir dos jeitos mais inusitados, daqueles que é pra gente rir depois, sabe?
;)
Isso me dá esperança, vez ou outra ainda vejo minha musa da infancia, mas hoje ela tem namorado. Quem sabe um dia?
ah, o amor da adolescência sendo conquistado. gostinho bom, né?
bju
sempre aparecem as mulheres "de gaveta" quando a gente menos espera
abraço!
de fato, parece muito com a cena final do "the kid" ;P que eu adoro ^^
aconteceu algo parecido comigo, mas eu não senti nada parecido com essa sua sensação, pra mim foi tão bobo. vai ver é porque eu ainda era muito nova.
Boa crônica...muito boa. Sempre rola esses reencontros e acho que temos sempre a tendência de buscar algo que achamos que ficou mal resolvido lá atrás...
abs
PS: teu menguinho deu sorte hein...rs
Muito bom o texto. Já passei por algo parecido e sei como é boa a sensação de conseguir, mesmo depois de um certo tempo.
hehehe..
quem nunca teve uma historia dessa? tirando claor..como todo mundo jah comentou de ligar pra mãe do rapaz... mas oq eu quero falar hoje.. é o fato de estar impressionado com a sua idéia.. ou com o modo como escreve.. ou seja.. pelo conjunto da obra.. do seu blog.. nunca fui de ficar lendo blogs..ainda mais pessoais.. salve alguns humoristicos.. mas o seu blog é realmente cativante.. e de história em história entramos em mundo nosso e que é difícil parar de ler...
Realmente é muito bom!
Não sei se é um golpe de sorte sua essa ideia haha.. mas seria bom tentar continuar escrevendo...
Um abraço.. e boa semana pra vc "brother" como se diz ai no Rio neh! hehehe
hahaha
li tanta shistorias hoje.. que me confundi na hora de comentar.. hahaha
o fato de vc ter ligado é na historia de "Porrada" hahaha...
bom.. mas dessa historia eu tbm jah tive.. mas nao cheguei no beijo nao.. hehehhee
ow! que caso, loucura isso, um reecnontro depois de anos....
Menino romântico. Está em falta no mundo.
Acho que já todos passámos por algo parecido. Mas no seu caso, a história teve um bom final. Já no meu...
Um abraço.
muito bom! :)
eh, eu era meio feinha na escola.
pior q sempre me apaixonava pelos mais lindos, ai ai
oh vida
beijooo
pq o homem antes de tudo tem que provar pra ele mesmo!
Beijos
Gostei das crônicas, cheguei aqui por acaso.Achei interessante sobre a linguagem corporal também, e sobre encontrar meus amores do primário.... acho meio impossível que aconteça algo, os que não estão casados, estão noivos,srs. Grande abraço
Esse post foi simplesmente fofo! Muito legal mesmo essa sensação de "preencher uma lacuna"...sem fala na imagem do filme que eu adorei!
Bjus
hehee
demorou, mas conseguiu :P
Faz bem satisfazer a criança de 10 anos que vive em nós. Depois de muitos anos eu tive a chance de me dar de presente a realização de um sonho de infância...Nada a ver com homens...nem com relacionamentos. Mas está em prática...muito bom, sempre.
Beijos
Há uns poucos dias encontrei orkuts das minhas paixões de colégio... e nossa, como eles eram mais bonitinhos qndo eram pequenos...
hahahahaha
embarangaram, não dá nem vontade de encontrar pra 'vingar' o passado...
mas muito boa a postagem de hoje, bem 'leve'... beijos e boa semana!
Eu tenho um plano pra um livro sobre isso, cara. Um cara que depois dos 40 decide que precisa resolver todas as suas antigas frustrações amorosas de infância. Ainda não vou começar a escrever, tô pensando em esperar mais 20 anos e fazer a coisa ser autobriográfica. O único medo é que vai ficar muuuuito grande essa droga de livro...
Engraçado o que mais me chamou a atenção nesse post foi essa frase:
"É impressionante como a gente passa a achar tudo corriqueiro conforme a vida passa".
E fiquei matutando... o ruim de ter muita experiência é isso, chega um momento que vc. já viu de tudo um pouco, nada mais te surpreende nem apetece de verdade... nem a presença de uma musa. Não é chato isso?!
Boa, Oculto! Valeu pela visita e por linkar o blog. Na real, os amores da infância/adolescência são mais mentais que reais, mágicos que lógicos. É bom que às vezes continue assim, mas também é bacana pro ego saber que atingimos aquele objetivo que parecia ser impossível quando moleque. Na real, acho que esse tipo de rapaz tímido do Fundamental e Médio é o que se torna mais interessante depois de anos... porque se volta a outras "artes" enquanto os bonitões e gostosões só pensam em usufruir do momento (que é efêmero). Hehehe.
Abraço e obrigado, mais uma vez, pela visita e comentários!
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