Eu estava na faculdade havia pouco tempo. Foi uma das primeiras vezes em que fui àquela boate que eu viria a frequentar por longos anos. Combinara com um amigo e, para economizar dinheiro (afinal, universitário é duro por definição), calibrei com umas doses de Absolut que meu pai havia trazido do free shop para mim. Era um garrafão de 1,75 litro, algo lindo de se ver!
Não me lembro bem se encontrei meu amigo lá dentro ou se combinamos de ir juntos. Lá dentro, mal ficamos na pista. Subimos para o segundo andar, sentamo-nos no chão e ficamos conversando. Ele logo pegou um pote metálico de bala, tipo o das pastilhas valda, e retirou de lá o primeiro baseado. Fumamos esse juntos enquanto falávamos de assuntos relativos a nossos amigos da faculdade. Foi quando percebi que tinha uma garota sentada na poltrona atrás de mim tentando prestar atenção na conversa.Não liguei. Acendemos o segundo e o assunto se estendeu. Já no final do fino, ela interveio falando algo que não fazia sentido e ficou olhando para a minha cara. É claro que lhe dei logo um beijo antes de perguntar qualquer coisa. Fui para a poltrona e ficamos nos beijando um tempo. Minha mão, sempre esperta, logo alcançou o que queria.
Depois de algum tempo, me dei conta de que não sabia exatamente como era seu rosto. E, com o pensamento confuso pela maconha, resolvi parar e olhá-la um pouco. "Caramba! Não estou com discernimento para entender seu rosto! Não sei se é bonita, se é feia... só tenho certeza de que, se esbarrar com ela amanhã, não vou saber!", pensei.
Conversamos um pouco. Tinha nome de atriz e fazia teatro. Eu disse o que fazia e que acabado de deixar um estágio não sei onde e tal. Foi ficando tarde e eu preferi não evoluir a noite, talvez por medo de com quem iria acordar. Nos despedimos e parti para minha casa.
Uns dias depois, recebo um telefonema na minha casa:
– Adivinha quem está falando?
– Nem imagino.
– (...), lembra?
– Ah. Claro.
– E então você me disse que trabalhava em (...), resolvi ligar para lá e pegar seu telefone. Daí fiquei pensando... ligo ou não ligo, ligo ou não ligo? Acabei ligando!
– É, eu vi. (Secamente)
– Ah, então tá. Um beijo!
Que diabos ela estava pensando? Ligar para o meu antigo estágio para pegar meu número? Até porque, se eu quisesse manter contato, eu escolheria uma das opções cabíveis em vez de imaginar que passei a noite beijando uma detetive!
6 comentários:
No começo da faculdade eu rachei apê com um amigo e num final de semana que ele tinha viajado apareceu uma garota lá procurando por ele. Tudo muito ok, tudo muito normal. Quando ele volta de viagem eu descrevo pra ele a garota e digo o nome dela.
Resumo: era uma garota com quem ele tinha ficado em outra cidade e pra quem ele tinha dito só o nome.
Ela nem era mais detetive, ela possivelmente era o Ethan Hunt de saias, sério.
caraca, essa vai meeeesmo em busca do q quer... kkk
mas eu sei como é isso, já passei por algo parecido e foi muito esquisito, dá um misto de invasão de privacidade com a sensação de ser objeto de desejo, isso se a pessoa vale a pena, pq se não vale, fica só a sensação de invasão mesmo.
bjs
conheço algumas pessoas que são assim, meio que detetives....e chatos!!!!
Eu heimmm, to fora de mulheres malucas....
Stalker... medo!
Faria diferente.
PS.: Bom ver que contos maiores por aqui. Prefiro estes, com detalhes de como as coisas se dão.
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